Astrônomos descartaram a hipótese de que o cometa interestelar 3I/ATLAS seja uma nave alienígena ou algum tipo de sonda artificial. Observações recentes não encontraram qualquer sinal tecnológico associado ao objeto, reforçando a interpretação de que ele é um cometa natural, apesar de sua origem fora do Sistema Solar.
O interesse em torno do 3I/ATLAS cresceu porque ele é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado passando pelo nosso sistema planetário, depois de 1I/‘Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019. A raridade desses visitantes alimentou especulações, mas novos dados indicam que, ao menos neste caso, não há surpresas do ponto de vista científico.

Busca por sinais de tecnologia extraterrestre
A investigação foi conduzida com o Green Bank Telescope, um radiotelescópio de 100 metros de diâmetro usado pelo projeto Breakthrough Listen, dedicado à busca por sinais de possíveis civilizações extraterrestres. Os astrônomos procuraram por tecnossinaturas, especialmente sinais de rádio estreitos, considerados candidatos prováveis por exigirem pouca energia e viajarem grandes distâncias pelo espaço.
Segundo o pesquisador principal Benjamin Jacobson-Bell, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a equipe não detectou nenhum indício desse tipo. Em entrevista ao site Space.com, ele afirmou que o resultado já era esperado, dado o conjunto de evidências que aponta o 3I/ATLAS como um cometa comum, sem características artificiais.
Sensibilidade das observações em rádio
O Green Bank Telescope opera em uma área protegida contra interferências de rádio e possui sensibilidade suficiente para detectar transmissores com potência de até 0,1 watt. Para efeito de comparação, celulares modernos costumam emitir sinais na faixa de 1 watt.
De acordo com Jacobson-Bell, se houvesse no 3I/ATLAS algum transmissor até dez vezes mais fraco que um telefone celular, ele teria sido identificado. A equipe chegou a registrar nove “eventos”, termo usado para sinais que passam por filtros iniciais, mas todos foram atribuídos posteriormente a fontes terrestres conhecidas.

Por que a hipótese foi levada a sério?
Os pesquisadores reconhecem que a ideia de sondas interestelares não é absurda do ponto de vista teórico. O próprio ser humano já discute conceitos semelhantes, como a iniciativa Breakthrough Starshot, que propõe o envio de milhares de sondas ultraleves a sistemas estelares próximos, como Alpha Centauri.
Ainda assim, no caso do 3I/ATLAS, observações anteriores e os novos dados em rádio indicam que o objeto se comporta como um cometa e não emite sinais compatíveis com tecnologia. Para os cientistas, deixar de verificar essa possibilidade teria sido uma omissão metodológica.
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Importância científica do 3I/ATLAS
Mesmo sem sinais artificiais, o 3I/ATLAS continua sendo considerado cientificamente relevante. Estudar objetos interestelares ajuda a entender melhor a formação e a diversidade de corpos vindos de outros sistemas planetários.
Jacobson-Bell destaca que esse tipo de descoberta deve se tornar mais frequente com o início do Legacy Survey of Space and Time, do Observatório Vera C. Rubin, um levantamento de dez anos que deve ampliar significativamente o número de objetos detectados.
Com uma amostra maior, os astrônomos poderão distinguir quais características são comuns e quais realmente fogem ao padrão, justificando investigações mais detalhadas. A pesquisa sobre o 3I/ATLAS está disponível em versão preliminar no repositório arXiv, antes da revisão por pares.
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