A Nintendo voltou a mirar a cena de emulação para lutar contra a pirataria de jogos do Nintendo Switch. Em uma nova ofensiva baseada na lei norte-americana DMCA (Digital Millennium Copyright Act), a empresa enviou notificações formais ao GitHub pedindo a remoção de repositórios ligados a diversos emuladores do Nintendo Switch, afetando praticamente todos os grandes projetos do tipo.
A medida foi identificada inicialmente por veículos internacionais e usuários do Reddit, e atinge pelo menos 13 projetos hospedados na plataforma. Segundo os avisos, os repositórios “oferecem, vinculam ou fornecem acesso” a emuladores que, na visão da empresa japonesa, burlam mecanismos tecnológicos de proteção.
O movimento reforça a postura cada vez mais rígida da Nintendo contra iniciativas de emulação, especialmente após os embates jurídicos de 2024 que mataram o Yuzu.
Quais emuladores foram atingidos pela DMCA?
De acordo com as notificações enviadas ao GitHub, a ofensiva atinge desde clones do antigo Yuzu até projetos avançados de emulação do Switch 1 e 2 no PC e celulares Android e iOS. Confira a lista de projetos afetados, segundo o WccFTech:
- Citron
- Eden
- Kenji-NX
- MeloNX
- Pine
- Pomelo
- Ryubing
- Ryujinx
- Skyline
- Sudachi
- Sumi
- Suyu
- Yuzu
Alguns repositórios já foram removidos ou desativados. Sites oficiais de projetos como Citron e MeloNX também saíram do ar. Projetos populares como o Ryujinx seguem de pé, mas com a incerteza sobre o futuro.

O que a Nintendo alega contra os emuladores?
No texto do pedido de remoção, a Nintendo argumenta que os emuladores do Switch são “primariamente projetados” para rodar jogos da plataforma e que, para funcionar, utilizam cópias não autorizadas de chaves criptográficas proprietárias (as chamadas prod.keys).
Segundo a empresa, isso configura violação da DMCA por “circunvenção de medidas tecnológicas de proteção”, além de possível tráfico de tecnologia destinada a burlar sistemas de segurança. Em outras palavras, para a Nintendo, a simples distribuição desses emuladores já representaria infração, independentemente do uso final pelo jogador.
Essa interpretação jurídica não é nova, mas vem sendo aplicada com mais força nos últimos anos. Afinal, no passado, emuladores como o Yuzu foram utilizados para rodar jogos do Nintendo Switch no PC no lançamento – e em alguns casos, até mesmo antes da estreia oficial.
Emulador Eden vai lutar para continuar existindo
Entre os projetos citados, o emulador Eden decidiu se manifestar publicamente. Em comunicado no Discord, a equipe confirmou que o aviso de DMCA atinge apenas o repositório de releases hospedado no GitHub — não o código-fonte principal.
Segundo os desenvolvedores, o código está hospedado em servidor próprio e segue disponível, assim como versões espelhadas para download. A equipe também informou que pretende contestar a notificação, argumentando que o projeto não viola as políticas da plataforma.
O fundador do Eden, Camille LaVey, declarou que a intenção é continuar o desenvolvimento, defendendo o projeto como ferramenta de preservação de jogos para usuários que já possuem cópias legítimas.
O que pode acontecer agora?
O GitHub informou aos desenvolvedores que oferece prazo curto para resposta antes de desativar repositórios. Caso não haja contestação ou acordo, os projetos podem perder visibilidade e distribuição via plataforma.
Por outro lado, como mostrou o caso Eden, muitos desenvolvedores já evitam hospedar código exclusivamente no GitHub — prevendo justamente esse tipo de medida.

A nova rodada de notificações mostra que a Nintendo não pretende aliviar o cerco tão cedo. Para a cena de emulação do Switch, o recado é claro: a disputa jurídica continua e deve se intensificar na geração do Switch 2.
Preservação de jogos vs pirataria
Tecnicamente, desenvolver um emulador não é necessariamente ilegal em vários países. O problema surge quando há uso de BIOS proprietárias, chaves criptográficas ou ROMs distribuídas sem autorização.
Para a Nintendo, os emuladores do Switch facilitariam a execução de cópias piratas e prejudicariam a venda de jogos. A empresa já afirmou no passado que títulos como The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom teriam sido pirateados em larga escala antes mesmo do lançamento oficial.
Essa percepção da empresa levou a uma grande batalha contra o emulador Yuzu, que teve mais de 8 mil repositórios e cópias derrubados após uma notificação da companhia. Durante a briga judicial, em 2024, a empresa deixou claro que está disposta a batalhar contra os softwares de emulação para proteger seus consoles atuais contra a pirataria.
Já desenvolvedores de emuladores frequentemente defendem seus projetos como ferramentas de preservação histórica e acessibilidade, permitindo que jogadores utilizem legalmente jogos adquiridos em hardware alternativo. Graças ao engajamento da comunidade, esses projetos seguem vivos mesmo com as investidas da Nintendo.
Após a queda do Yuzu, por exemplo, diversos clones do emulador surgiram online, como o Suyu. No entanto, com as investidas cada vez mais fortes e constantes da Nintendo, o cabo de guerra dos emuladores de Switch está cada vez mais disputado.
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