A CD Projekt RED encerrou 2025 vendendo a GOG para Michal Kicinski, co-fundador tanto do estúdio polonês quanto da própria loja digital, marcando uma nova fase para a plataforma sem DRM.
A negociação manteve a GOG sob o comando de um dos seus criadores, em um momento em que o mercado de lojas de PC é amplamente dominado pela Steam. Em entrevista recente, Kicinski e o diretor administrativo da GOG, Maciej Golebiewski, detalharam como a empresa pretende operar a partir de agora.
Segundo os executivos, a mudança de controle não significa uma ruptura no modelo da plataforma, mas sim uma tentativa de reforçar sua identidade. Mesmo com um catálogo mais nichado e distante dos grandes volumes de vendas da concorrência, a GOG acredita que ainda há espaço para crescer dentro de um mercado cada vez mais concentrado.
As falas também abordaram temas além do mercado, incluindo críticas diretas ao Windows e uma abertura maior ao Linux como alternativa para jogadores de PC.
Competir com a Steam é uma batalha muito difícil, segundo Kicinski
Para a nova gestão da GOG, tentar enfrentar a Steam de frente não faz sentido. “A Steam é obviamente um Golias. Para qualquer empresa, tentar competir com a Steam é uma batalha muito difícil”, afirmou Maciej Golebiewski, citando também as tentativas frustradas de lojas como as do Discord e da Epic Games.
O executivo destacou que, mesmo assim, a GOG conseguiu se manter relevante ao longo dos anos. “O fato de a GOG estar se expandindo, se desenvolvendo e ainda em plena atividade mostra que ela realmente encontrou o seu espaço no mercado”, explicou.
Golebiewski também reconheceu o trabalho da Valve. Segundo ele, a Steam “faz um trabalho incrível”, mas segue valores diferentes dos da GOG, especialmente quando o assunto é preservação e acessibilidade de jogos clássicos e modernos.
Kicinski reforçou essa visão ao dizer que não há motivo para tentar imitar a concorrente. “A GOG tem seus próprios pontos fortes e deveria se concentrar em mantê-los e até mesmo fortalecê-los. Não há necessidade de tentar ser como os outros”, declarou.
Ainda assim, o novo dono admite que há lições a aprender. “A Steam está ganhando com sua facilidade de uso. Nesse aspecto, acho que muito pode ser feito na GOG sem perder seus valores essenciais”, concluiu.
GOG tem seus pontos fortes — e é neles que o novo dono quer focar
Kicinski afirma que a principal vantagem da GOG é sua identidade própria. “A GOG tem sua própria singularidade, o que é muito apreciado pelos jogadores”, disse o executivo ao comentar sobre o posicionamento da loja no mercado.
Outro diferencial citado foi o modelo de curadoria. Para o empresário, a GOG se destaca por não inundar o usuário com lançamentos de baixa qualidade. “Não lançamos centenas de jogos diariamente, 95% dos quais não são de altíssima qualidade”, afirmou.
Essa seleção mais rígida, segundo ele, ajuda a manter a percepção de valor do catálogo e facilita a descoberta de bons jogos, algo que muitas vezes se perde em plataformas de grande escala.
Mesmo assim, a empresa quer evoluir em aspectos práticos, como a usabilidade do cliente GOG Galaxy, buscando melhorar a experiência sem abrir mão de seus princípios.
Novo dono da GOG odeia o Windows
Além das discussões sobre o mercado, Kicinski chamou atenção ao criticar duramente o Windows. “É um software e um produto de tão baixa qualidade… Não consigo acreditar que tenha permanecido no mercado por tantos anos”, declarou o executivo.
Ele explicou que atualmente utiliza o macOS, mas que ainda lida com computadores Windows de familiares. “Às vezes tenho que consertar o computador da minha mãe ou do meu pai, que têm Windows, e é inacreditável”, comentou.
Já Golebiewski afirmou que a GOG está de olho na insatisfação de parte dos jogadores com o ecossistema da Microsoft. “Sim, estamos [atentos]. Incluímos o Linux em nossa estratégia para este ano”, disse, indicando que a plataforma pretende avaliar melhor esse público.
Segundo ele, o sistema operacional da comunidade open source é “muito querido pelos nossos usuários”, o que abre espaço para melhorias no suporte da loja a jogos rodando fora do Windows.
Com a GOG agora sob nova direção, o foco parece ser reforçar sua identidade e explorar nichos pouco atendidos pelo mercado. Nas redes sociais do Voxel, conte o que você espera do futuro da plataforma!