Astrônomos registraram um fenômeno intrigante envolvendo uma estrela distante que passou vários meses com seu brilho drasticamente reduzido. Investigações revelaram que o bloqueio da luz foi causado por uma nuvem gigantesca formada por metal vaporizado que parece estar presa gravitacionalmente a um corpo ainda não identificado.
Essas são as conclusões de um estudo publicado na quarta-feira (21) no periódico científico The Astronomical Journal.
O que diz o estudo:
- Estrela J0705+0612 escureceu de forma prolongada e intensa;
- Nuvem de metal vaporizado bloqueou a luz do corpo celeste;
- A nuvem está presa a um objeto massivo ainda desconhecido;
- Configuração sugere disco circumplanetário ou circumsecundário;
- Origem pode ter sido colisão de grandes corpos planetários.
O evento teve início em setembro de 2024, quando uma estrela semelhante ao Sol chamada J0705+0612 sofreu uma queda abrupta de luminosidade, chegando a ficar dezenas de vezes mais fraca do que o normal. A fase escurecida se prolongou até maio de 2025, quando ela recuperou o brilho habitual. O caso despertou a atenção da comunidade científica por ser incomum que estrelas estáveis apresentem mudanças tão acentuadas.
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Nuvem metálica tem cerca de 200 milhões de km
Nadia Zakamska, astrofísica da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, é uma das pesquisadoras envolvidas no acompanhamento do fenômeno. Em um comunicado, ela explicou que a intensidade e a duração do escurecimento indicavam que algo de grande escala estava interferindo na luz da estrela, e não uma simples oscilação natural de luminosidade.
Para observar J0705+0612, Zakamska e sua equipe utilizaram os telescópios Gemini do Sul e Magalhães, localizados no Chile, além do Observatório Apache Point, nos EUA. A comparação entre esses dados recentes e registros de arquivo permitiu concluir que a estrela havia sido temporariamente ocultada por uma nuvem densa de gás e poeira, que se movia de forma relativamente lenta diante da linha de visão.
As estimativas indicam que a nuvem tem cerca de 200 milhões de km de largura, uma dimensão equivalente a milhares de vezes o diâmetro da Terra. Ela estaria a aproximadamente 2 bilhões de km de distância da estrela, região comparável ao limite externo de um sistema planetário já estabelecido.
Estrutura é presa a objeto misterioso: planeta ou estrela?
Outro ponto-chave do estudo foi o indício de que a nuvem não está solta no espaço, mas orbitando um objeto secundário igualmente em órbita da estrela. Segundo os pesquisadores, para ser capaz de manter material tão extenso gravitacionalmente unido, esse corpo precisaria ter massa várias vezes superior à de Júpiter, podendo representar tanto um planeta gigante quanto uma estrela pequena.
Dependendo da natureza desse objeto secundário, a nuvem pode ser classificada como um disco circumplanetário, caso seja um planeta, ou como um disco circumsecundário, caso seja uma estrela. Em ambos os cenários, é raro observar esse tipo de estrutura interferindo diretamente na luz de uma estrela.
Utilizando o espectrógrafo GHOST, instalado no Gemini do Sul, a equipe identificou elementos como ferro e cálcio no estado gasoso, permitindo mapear em três dimensões como o material se movimenta dentro da nuvem – um resultado inédito para discos desse tipo.
A equipe propõe que essa nuvem pode ter se originado após a colisão de dois planetas, liberando detritos em grande escala. Embora impactos desse tipo sejam comuns em sistemas jovens, é raro registrá-los em sistemas mais antigos, estimados em bilhões de anos. Para Zakamska, isso “é um lembrete vívido de que o Universo está longe de ser estático – é uma história contínua de criação, destruição e transformação.”
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