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O que Musk não te contou sobre a fusão entre SpaceX e xAI

by Fesouza
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Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
A semana na tecnologia começou monotemática: o Moltbook, assunto que tratamos ontem na newsletter. Mas Elon Musk roubou a cena e pegou o protagonismo do noticiário na noite de ontem. Como noticiamos, a SpaceX anunciou a aquisição da xAI.

Antes, farei um breve resumo de cada empresa/serviço oferecido por empresas do bilionário para que você não se perca na sopa de “X” que vem por aí.

  • SpaceX: empresa aeroespacial que desenvolve foguetes e naves reutilizáveis, visando reduzir o custo de acesso ao espaço. Em seu portfólio está a famosa Starship, maior nave do mundo.
  • Starlink: serviço de banda larga via satélite (órbita baixa) que busca levar internet estável a áreas remotas e em mobilidade. É parte do ecossistema da SpaceX e virou um dos pilares comerciais do grupo.
  • xAI: startup de IA criada por Musk para desenvolver modelos e produtos como o chatbot Grok.
  • X: a rede social, o antigo Twitter. Em março do ano passado, a plataforma foi vendida para a xAI. Ou seja, não é a primeira vez que Musk faz negócios com ele mesmo.
  • Tesla: Montadora de carros elétricos comandada por Musk. Vem reposicionando o foco para IA/robótica (sistemas de assistência e projetos de automação, incluindo táxis autônomos e robôs humanoides), como falamos aqui.
  • Neuralink: empresa de neurotecnologia que desenvolve interfaces cérebro-computador (implantes) para controlar dispositivos. O objetivo é dar mais autonomia a pessoas com deficiência.
  • The Boring Company: essa talvez seja a menos badalada. Trata-se de uma empresa de infraestrutura focada em escavar túneis para transporte e utilidades.

E o que aconteceu ontem?

A SpaceX anunciou nesta segunda-feira a aquisição da xAI, empresa de inteligência artificial controlada por Elon Musk, em um movimento que une dois dos principais negócios privados do bilionário.

A informação foi confirmada pela própria companhia aeroespacial, em um comunicado assinado por Musk.

Com a operação, Musk passa a comandar uma estrutura que reúne foguetes, satélites, o chatbot Grok e a plataforma social X (antigo Twitter) em um único portfólio. Segundo pessoas familiarizadas com o plano, ouvidas pelo New York Times sob condição de anonimato, a empresa combinada deve avançar com uma oferta pública inicial (IPO) por volta de junho, com a expectativa de levantar cerca de US$ 50 bilhões.

Segundo a Reuters, que creditou fontes familiarizadas com o assunto, a recente transação avalia a SpaceX em US$ 1 trilhão e a xAI em US$ 250 bilhões. Além disso, o IPO poderá alavancar o total para mais de US$ 1,5 trilhão.

Corrida das IAs por trás de tudo?

No memorando aos funcionários da SpaceX e da xAI, Musk afirmou que a união cria um “motor de inovação verticalmente integrado”, citando a combinação de IA, foguetes, internet via satélite e comunicações diretas com dispositivos móveis. Um dos principais pontos destacados foi a intenção de levar centros de dados para o espaço, utilizando energia solar em órbita para alimentar sistemas de computação.

É isso mesmo! Data centers alimentando inteligência artificial diretamente do espaço. O assunto não é exatamente uma novidade. No ano passado mesmo, noticiamos que essa era a aposta de Jeff Bezos, fundador da Amazon e da empresa aeroespacial Blue Origin.

Nas palavras de Musk:

“Os avanços atuais em IA dependem de grandes centros de dados terrestres, que exigem quantidades imensas de energia e refrigeração. A demanda global de eletricidade para IA simplesmente não pode ser atendida com soluções terrestres, mesmo em curto prazo, sem impor dificuldades às comunidades e ao meio ambiente. A longo prazo, a IA espacial é obviamente a única maneira de alcançar escala. Para aproveitar sequer um milionésimo da energia do nosso Sol, seria necessário mais de um milhão de vezes a energia que nossa civilização usa atualmente! A única solução lógica, portanto, é transportar esses esforços que consomem muitos recursos para um local com vasta energia e espaço. Afinal, o espaço se chama “espaço” por um motivo. 😂
Ao aproveitar diretamente a energia solar quase constante com custos operacionais e de manutenção mínimos, esses satélites transformarão nossa capacidade de escalar a computação. No espaço, está sempre ensolarado!”

A empresa informou no ano passado, em carta a acionistas, que parte dos recursos de uma eventual abertura de capital seria destinada justamente a esses projetos. Na semana passada, a SpaceX também comunicou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) planos para um “sistema de centro de dados orbital”, que poderia chegar a até um milhão de satélites, com foco em maximizar a geração de energia solar e atender à demanda global por capacidade de processamento.

Ainda não há detalhes divulgados sobre cronograma, tamanho ou design desses satélites.

A SpaceX e a xAI não comentaram nada além do comunicado oficial.

Mas é só isso mesmo?

A movimentação ocorre após a xAI intensificar gastos para competir no setor de IA. Em janeiro, a empresa informou ter levantado US$ 20 bilhões, o que a avaliou em mais de US$ 230 bilhões.

A título de comparação, a OpenAI foi avaliada em US$ 500 bilhões em outubro e busca elevar esse valor para cerca de US$ 750 bilhões na próxima rodada de financiamento. A Anthropic tem em vista um financiamento que avaliaria a empresa em US$ 350 bilhões.

Já a SpaceX, em dezembro, permitiu que funcionários vendessem ações em uma rodada que indicou um valor de mercado próximo de US$ 800 bilhões.

A Tesla anunciou recentemente um investimento de US$ 2 bilhões na xAI como parte de sua mais recente rodada de financiamento. Em julho de 2025, a SpaceX fez o mesmo.

Ufa, quantas cifras!

Sobre todo o contexto, a CNBC traz uma manchete interessante: “A xAI de Musk precisa do acordo com a SpaceX para conseguir o financiamento. Data centers no espaço ainda são um sonho”.

A argumentação é de que os centros de dados orbitais são para um futuro distante. Neste momento, a xAI precisaria de… dinheiro!

O cenário descrito é o seguinte:

  • Um dos principais fatores para o crescimento da SpaceX é a Starlink. Contudo, o número de lançamentos de foguetes para colocar seus satélites em órbita a cada ano é limitado.
  • A xAI precisa de muito financiamento para a construção de sua infraestrutura, enquanto tenta alcançar o Google, a OpenAI e Anthropic no crescente mercado de IA generativa.
  • De acordo com uma reportagem do The Information, a xAI informou aos investidores que consumiu cerca de US$ 9,5 bilhões nos primeiros nove meses de 2025.
  • Segundo Tim Farrar, presidente da TMF Associates, empresa de pesquisa do setor de satélites e telecomunicações, que conversou com a CNBC, a união das empresas permite que Musk capitalize sobre o “apetite insaciável” dos investidores por ações de IA, ao mesmo tempo que garante a posição financeira da companhia, apesar dos prejuízos.

A reportagem lembra, ainda, outros trunfos de Musk:

  • A nomeação de seu sócio e ex-investidor e cliente da SpaceX, Jared Isaacman, como chefe da NASA. Isaacman tem apoiado iniciativas que podem expandir os contratos da agência com a SpaceX. 
  • Na FCC, o presidente Brendan Carr é um defensor da Starlink.
  • A Comissão Federal de Comércio (FTC) agora é dirigida por Andrew Ferguson, indicado por Trump, em vez de Lina Khan – que bloqueou grandes negócios de tecnologia durante o governo Biden.
  • Em dezembro, Donald Trump assinou uma ordem executiva que unifica a estrutura regulatória para IAs, limitando o poder dos estados para implementar suas próprias regras.

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