Um estudo publicado no periódico Journal of Geophysical Research: Atmospheres revela que observações feitas a partir da Lua podem ajudar a entender melhor como a Terra emite radiação para o espaço. Esse processo, chamado de balanço de radiação, é central para o funcionamento do clima e para a evolução das mudanças ambientais no planeta.
O balanço de radiação envolve a energia que o planeta recebe do Sol e a energia que perde para o espaço. Para estudar essa troca, cientistas usam satélites que orbitam a Terra. No entanto, essas plataformas ainda têm dificuldades em garantir observações contínuas e com cobertura global ao mesmo tempo.
Em resumo:
- Observações a partir da Lua permitem visualizar a Terra inteira e seu balanço radiativo;
- Essa visão global reduz interferências locais e revela padrões planetários dominantes;
- Modelagem matemática explica grande parte da variação registrada na radiação emitida;
- Plataforma lunar pode melhorar monitoramento climático e estudos de mudanças globais.
Plataforma de observação na Lua permite visão global da Terra
No novo estudo, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências analisaram imagens da Terra registradas da superfície lunar. Segundo o primeiro autor do trabalho, Ye Hanlin, observar o planeta a partir da Lua permite vê-lo como um disco completo, e não apenas por partes, como acontece com satélites terrestres.
Essa visão global ajuda a reduzir interferências locais causadas por fenômenos meteorológicos e climáticos de curto prazo. Como resultado, os dados revelam padrões dominantes do planeta como um todo, oferecendo uma “impressão digital” da radiação emitida pela Terra.
Os cientistas descobriram que cerca de 90% da variação da radiação registrada pode ser explicada por funções harmônicas esféricas de primeira e segunda ordem. Essas funções são modelos matemáticos que descrevem variações periódicas e ajudam a identificar padrões estáveis ao longo do tempo.
O estudo também detalhou as periodicidades envolvidas nas mudanças da radiação emitida. O mês sinódico, ligado às fases da Lua, é marcado por componentes harmônicos setoriais. Já o mês sideral apresenta influência de componentes zonais, associadas ao deslocamento da posição de observação causado pela órbita lunar. Além disso, mudanças intradiárias refletem a rotação da Terra e o consequente movimento do campo de visão.
Os autores afirmam que plataformas lunares podem abrir uma nova janela para monitorar o planeta de forma contínua, auxiliando pesquisas sobre clima e mudanças globais.
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Veja as imagens mais nítidas já feitas do cinturão de radiação da Terra
Lançada em abril de 2023, a sonda JUICE (sigla em inglês para “Explorador das Luas Geladas de Júpiter”), conduzida pela Agência Espacial Europeia (ESA), capturou as imagens mais nítidas já registradas do cinturão de radiação da Terra.
Durante uma manobra gravitacional sobre o planeta, a espaçonave registrou os chamados cinturões de Van Allen – regiões repletas de partículas de radiação de alta energia que ficam presas pela magnetosfera terrestre. Descobertos pelo astrofísico James Van Allen, esses cinturões funcionam como uma barreira natural que ajuda a proteger o planeta contra o impacto dos ventos solares e das explosões emitidas pelo Sol, reduzindo potenciais danos à tecnologia e à vida na Terra. Saiba mais detalhes aqui.
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