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Plano e-Ciber e a urgência de uma nova mentalidade em cibersegurança

by Fesouza
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O Brasil inicia o segundo semestre de 2025 com um marco importante para sua maturidade digital: a Estratégia Nacional de Cibersegurança, nomeada de e-Ciber. O plano, coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), busca proteger infraestruturas críticas, ampliar a conscientização da sociedade e garantir soberania no ambiente virtual. Mais do que um decreto, trata-se de um movimento necessário diante da escalada de ataques que desafiam empresas privadas, órgãos públicos e até cidadãos comuns.

A estratégia parte de quatro objetivos centrais: aumentar a conscientização sobre segurança digital, proteger serviços essenciais – como saúde, energia e finanças –, estimular a cooperação entre os setores público e privado e, por fim, fortalecer a governança nacional sobre o tema. Em um país que já sofreu ataques em larga escala contra bancos, sistemas de saúde e até mesmo órgãos governamentais, essa articulação é mais do que um plano, é uma medida de sobrevivência.

Desafios do Plano e-Ciber

O desafio, no entanto, vai além da criação de diretrizes. Uma estratégia só ganha força quando se traduz em práticas consistentes no dia a dia das instituições. Ainda há obstáculos importantes a serem superados, como vulnerabilidades conhecidas, escassez de profissionais qualificados e falhas em processos básicos, que acabam abrindo espaço para riscos desnecessários. Ao mesmo tempo em que o país avança em governança e estabelece novas direções, persiste a necessidade de consolidar uma cultura de disciplina e resiliência em gestão de riscos.

Nesse contexto, os dados mais recentes do relatório State of Ransomware 2025 – realizado pela Sophos, empresa que lidero no Brasil – mostram como novas abordagens têm contribuído para reduzir riscos. O estudo aponta que o tempo médio de permanência de um ataque caiu de quatro para apenas dois dias no último ano, resultado que está diretamente associado ao avanço da adoção de serviços de Detecção e Resposta Gerenciada (MDR). Essa tendência reforça que soluções baseadas em monitoramento contínuo e resposta especializada podem desempenhar um papel decisivo na construção de um ambiente digital mais seguro.

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Quando apoiadas por equipes de MDR, as organizações têm demonstrado maior capacidade de reação. Para se ter uma ideia, também de acordo com o relatório, o tempo médio de resposta foi de três dias em incidentes com ransomware e de apenas um em situações sem esse tipo de ameaça. Esse desempenho ganha ainda mais relevância diante do fato de que 83% dos arquivos maliciosos são lançados durante a noite, fora do horário comercial – ainda segundo o estudo –, mostrando como a agilidade proporcionada pela tecnologia pode ser determinante para transformar potenciais crises em eventos controláveis.

É aqui que a e-Ciber encontra um de seus maiores aliados: a mudança de mentalidade. Segurança não pode ser tratada como um investimento pontual, algo a ser revisitado apenas após um incidente. Precisa ser contínua, integrada e reconhecida como parte da governança do negócio e do Estado.

Sob as condições certas, Plano e-Ciber deve transformar cibersegurança no Brasil

Com o gerenciamento adequado, a nova estratégia pode ajudar a transformar a forma como o Brasil encara sua proteção digital, incentivando não apenas a criação de protocolos, mas a formação de uma cultura sólida de resiliência. Isso significa envolver lideranças, treinar equipes, investir em tecnologia e entender que, no mundo de hoje, soberania também se mede pela capacidade de proteger dados, infraestruturas e cidadãos.

Mais do que um decreto, a e-Ciber deve ser o ponto de partida de uma jornada contínua. Afinal, o futuro da cibersegurança pertence a quem enxerga resposta e prevenção como duas faces da mesma moeda, e que cada segundo de atraso pode custar caro demais para o país e suas instituições

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