Quem deve decidir como os militares usam a inteligência artificial (IA)? Para o CEO da OpenAI, Sam Altman, essa tarefa não é dos donos de empresas de tecnologia, mas sim dos políticos eleitos pelo povo. Em conferência com investidores na quinta-feira (05), o executivo argumentou que o processo democrático, apesar de “imperfeito” e “confuso”, é o caminho para definir o que é seguro ou não no uso dessa tecnologia para a defesa nacional.
Por que falar sobre isso agora? É que a OpenAI se envolveu numa polêmica recentemente ao fechar um acordo com o Pentágono (o departamento de defesa dos EUA). O contrato permite que a IA seja usada em sistemas secretos, o que levantou o medo de que a tecnologia pudesse ser usada para espionar cidadãos americanos.
Altman admite que contrato com militares foi ‘desleixado’ e pede novas leis de privacidade
A OpenAI conseguiu esse contrato com o governo após uma briga entre o Pentágono e a empresa rival, a Anthropic. Enquanto a Anthropic se recusou a abrir mão de certas travas de segurança para uso militar, a OpenAI decidiu avançar e ocupar esse espaço.
O próprio Sam Altman admitiu depois que a empresa não agiu da melhor forma. Numa mensagem interna, ele escreveu que se arrependeu de ter corrido para fechar o negócio, chamando a atitude de “oportunista e desleixada”. O executivo também confessou aos funcionários que se sentia mal por tê-los exposto a tantas críticas negativas, segundo o Wall Street Journal.

A grande preocupação que surgiu foi se as ferramentas da OpenAI ajudariam o governo a coletar dados de americanos sem autorização. Altman tentou acalmar os ânimos dizendo que o governo tem sido compreensivo e que os detalhes do contrato precisam ser esclarecidos para evitar abusos.
Para o CEO, o problema maior é que as regras atuais estão “velhas”. Ele defende que o país precisa de novas leis que entendam como a tecnologia funciona hoje, garantindo que o governo não espione ninguém sem um mandado judicial ou um processo legal.
No fim, Altman reforçou que é perigoso ignorar o sistema político só porque não gostamos de quem está no comando. Ele acredita que o modelo democrático é “cheio de falhas”, mas ainda assim é melhor do que deixar decisões tão importantes nas mãos de empresas privadas.
(Essa matéria usou informações de Wall Street Journal.)
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