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Por que ninguém fabrica carro 100% a etanol?

by Fesouza
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De forma geral, o etanol, enquanto combustível para carro, é menos poluente que a gasolina e, em alguns contextos, menos poluente que a energia elétrica. Então, por que não se fabricam mais os carros com funcionamento 100% a álcool? O Olhar Digital apurou as informações e responde a essas e outras dúvidas nos parágrafos a seguir.

Por que as fabricantes de veículos não produzem carros com funcionamento 100% a etanol?

Por que existem os carros “flex”

Por que ninguém fabrica carro 100% a etanol?
Chevrolet Onix é um carro flex (Divulgação: Chevrolet)

Os carros flex são veículos que aceitam como combustível o álcool, gasolina ou a mistura dos dois. Isso é inovador porque permite ao condutor escolher com qual opção deseja abastecer o carro — e esta decisão encontra-se atrelada à questão do preço do combustível na hora do abastecimento.

Contudo, se você tem um carro que funciona apenas à base de um tipo de combustível, seu motor fica preso a essa característica. Em outras palavras, se o preço da gasolina encarecer, por exemplo, não existe a possibilidade de você trocá-lo pelo álcool (e vice-versa).

Carros com funcionamento 100% a etanol não poderiam competir com os modelos “flex”, pois deixariam o consumidor preso a apenas um tipo de combustível. Além disso, alguns modelos de carros flex são mais baratos que certos carros que funcionam apenas a gasolina, então, por que pagar mais caro para ficar limitado a somente uma fonte de combustível?

Etanol tem menor autonomia

Renault Kwid de perfil
Kwid é um dos mais baratos à venda no Brasil, mas não é um dos mais econômicos (Imagem: Divulgação/Renault)

A gasolina é, costumeiramente, mais cara que o álcool. Contudo, seu contraponto é que ela permite uma autonomia maior para o veículo. Isso significa que 20 litros de gasolina permitem ao carro fazer um percurso muito mais longe do que 20 litros de álcool.

Comparando o potencial energético, os veículos tendem a consumir 30% a mais de álcool para rodar a mesma distância que um carro movido a gasolina. Desta forma, um carro com funcionamento 100% a etanol teria uma autonomia menor (se comparado aos abastecidos a gasolina) e precisaria de um tanque maior. Isso facilmente não agradaria aos consumidores.

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Dificuldades em dar a partida no frio

Em regiões que alcançam uma temperatura baixa, algo pode ser notado dentro do seu carro: o etanol evapora mais rapidamente do que a gasolina. Ou seja, você perde combustível mais facilmente.

Além disso, dar a partida no carro em meio ao frio, quando abastecido apenas por álcool, costuma ser problemático. Os carros flex, contudo, já resolveram esse problema devido à utilização de sistema de pré-aquecimento e injeção eletrônica avançada.

Desta forma, se comparado novamente ao carro flex, um veículo 100% a etanol não parece melhor.

Traumas pelo passado do Brasil

Bomba de gasolina em posto de combustível
(Imagem: ThePowerPlant / Shutterstock.com)

Durante os anos 80, houve um programa nacional intitulado Proálcool. Seu objetivo era bastante ambicioso: reduzir ao máximo a dependência do Brasil pelo petróleo importado. Além disso, poderia fortalecer a economia interna e até aproveitar a produção nacional de cana-de-açúcar.

O impacto foi tão grande que mais de 90% dos carros novos, vendidos no Brasil em meados dos anos 80, eram movidos a álcool. Essa mudança foi tão significativa que o país tornou-se referência mundial no quesito biocombustível.

Infelizmente, um problema aguardava os condutores em um futuro próximo: o aumento do açúcar no mercado internacional. Ficou tão caro produzir etanol que as usinas deram preferência à produção do açúcar refinado.

Como consequência, faltou etanol nos postos, filas gigantescas se formaram para abastecer com os últimos recursos disponíveis e várias pessoas ficaram com os carros parados, pois se o único combustível que o motor aceitava era álcool, mas não havia combustível disponível, o carro não poderia ser conduzido.

Esse problema, naturalmente, gerou uma quebra de confiança nos consumidores. Assim que possível, muitos mudaram seus carros para aqueles movidos à gasolina e despencaram as vendas de carros movidos apenas a álcool. Em 2003, surgiu o carro flex, uma salvação para muitos.

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