Promessas de que a IA vai salvar o clima são greenwashing, diz estudo

Um relatório aponta que 74% das afirmações da indústria de tecnologia sobre benefícios climáticos da inteligência artificial (IA) são infundadas. O estudo, feito por um consórcio de organizações ambientais, classifica as promessas corporativas como greenwashing. Publicada na terça-feira (17), a análise avaliou 154 declarações de gigantes do setor e instituições globais.

(Para quem não sabe: Greenwashing é a estratégia de marketing de empresas ou instituições para criar uma falsa imagem de responsabilidade ambiental. Na prática, a organização utiliza termos vagos, selos ecológicos sem validade ou destaca uma pequena ação positiva para esconder impactos negativos reais e significativos no meio ambiente.)

O levantamento destaca que a IA generativa impulsiona um aumento expressivo no consumo de energia e água, o que contradiz o discurso de sustentabilidade. Apenas 26% das alegações analisadas possuem base em estudos acadêmicos revisados por pares. O documento sugere que a narrativa ambiental serve para proteger lucros e evitar fiscalizações rigorosas sobre o impacto dos data centers.

Setor tech carece de evidências para sustentar promessas de mitigação climática via IA

A pesquisa aponta que 36% das promessas ambientais do setor de tecnologia não apresentam evidência ou fonte citada. Esse vazio documental indica que o marketing corporativo supera a comprovação técnica na comunicação sobre sustentabilidade. Para os especialistas, a falta de lastro nas afirmações configura uma estratégia de desinformação para manter o ritmo de crescimento da infraestrutura digital sem restrições regulatórias.

O consumo energético dos data centers é o principal motor do impacto negativo apontado pelo relatório. O processamento de dados para grandes modelos de IA exige um volume de eletricidade que frequentemente depende de combustíveis fósseis. A alegação de que a IA trará um “ganho líquido” para o meio ambiente é contestada por não contabilizar o custo energético real da expansão física necessária para manter a tecnologia em operação.

Além da eletricidade, o uso intensivo de recursos hídricos para o resfriamento de servidores agrava a pegada ambiental das empresas. Além disso, a ausência de transparência nos dados operacionais dificulta a avaliação precisa dos danos causados por empresas como Google e Microsoft. Entidades como a Green Web Foundation alertam que o setor opera num vácuo regulatório que permite a manutenção de metas de sustentabilidade baseadas em projeções pouco realistas.

O relatório conclui que a narrativa do benefício climático da IA atua como barreira contra legislações ambientais mais rígidas. Sem a validação de órgãos independentes, as promessas de tecnologia verde podem atrasar soluções efetivas para a crise climática. A recomendação é que governos e investidores exijam transparência total sobre o consumo de recursos naturais e descartem comunicações baseadas apenas em expectativas de eficiência futura.

(Essa matéria também usou informações de The Guardian.)

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