Que fim levou o Blu-ray, o padrão de mídia física para alta definição?

A cada nova geração de mídia física, um formato acaba se tornando dominante e vira o preferido de fabricantes e estúdios. O caso mais recente foi o do Blu-ray, que desde o fim dos anos 2000 virou referência em conteúdos de vídeo em alta definição.

O sucessor do DVD levou bastante tempo para se consolidar, mas a qualidade dos conteúdos compensou e ele virou referência em indústrias como games e cinema. Porém, atualmente é mais difícil encontrar discos e eletrônicos capaz de reproduzir ou gravar esse tipo de mídia.

A seguir, o TecMundo relembra a origem do Blu-ray como tecnologia e conta também qual é a atual situação desse formato em meio a um mercado cada vez mais dominado por mídias digitais.

Blu-Ray: o que é e como funciona o formato

O Blu-ray é um tipo de mídia física em formato de disco que é voltado para a gravação e reprodução de uma grande quantidade de conteúdos audiovisuais e multimídia, como filmes, séries ou games.

O desenvolvimento desse padrão foi iniciado ainda no começo dos anos 2000, quando DVDs reinavam absolutos no segmento de mídia física. Televisores de alta definição estão cada vez mais popularizados e esses discos ficaram para trás em aspectos como a resolução máxima desses aparelhos, que chega ao Full HD (1080p).

Em outubro de 2000, a Sony e a Pioneer revelaram o protótipo dessa tecnologia, até então chamada de DVR Blue. A empresa japonesa lembrada também pelo Walkman e o PlayStation foi quem criou um novo disco óptico de ultradensidade, que usa um laser azul para a gravação de dados — técnica que serviu de inspiração para batizar o formato.

A versão inicial do disco já permitia a gravação de até 25 GB de dados em uma única camada, graças ao laser mais preciso que era capaz de “encaixar” mais informações em um disco do mesmo tamanho dos padrões anteriores, o CD e o DVD.

O primeiro reprodutor de Blu-ray do mundo. (Imagem: Divulgação/Sony)

O Blu-ray só nasce oficialmente e já sob o nome definitivo em fevereiro de 2002. Neste ponto, várias empresas de eletrônicos e distribuidoras de filmes e séries confirmaram que fariam lançamentos no formato.

O primeiro reprodutor de Blu-ray foi o Samsung BD-P1000. Já o Sony BDZ-S77, de 2003, é considerado o primeiro aparelho que grava discos nesse formato. Esses produtos ainda eram bastante caros, em especial pelo alto custo inicial dos discos.

A consolidação de uma mídia física

Assim como aconteceu com outros formatos de fitas e discos de áudio ou vídeo, o Blu-ray enfrentou uma concorrência inicial antes de se estabelecer como o favorito da indústria e do consumidor.

O rival em questão foi o HD-DVD, um padrão desenvolvido pelas japonesas Toshiba e NEC. Ele era vendido como uma espécie de “DVD melhorado” e inicialmente teve apoio de nomes fortes do mercado, como Microsoft, Intel e estúdios como a Universal.

Um lançamento de filme ainda em HD-DVD. (Imagem: Reprodução/Amazon)

Porém, o Blu-ray tinha a vantagem de usar um novo método de fabricação e ter uma capacidade de armazenamento de dados muito maior. Uma série de acontecimentos fez aos poucos ele tomar o espaço da concorrente até se estabelecer como vencedor.

  • O console PlayStation 3, da própria Sony, saiu com um drive de discos Blu-ray em 2006 e virou uma alternativa para quem não queria comprar um reprodutor do formato.
  • Em 2007, o Blu-ray tomou a dianteira das vendas contra o HD-DVD e estúdios começaram a anunciar que adotariam a exclusividade do formato. O consórcio do HD-DVD até cancelou uma coletiva de imprensa na CES daquele ano após reviravoltas nessas parcerias;
  • No ano seguinte, a própria Toshiba anuncia que suspendeu a fabricação de novos players de HD-DVD. Anos depois, ela também passaria a fabricar aparelhos de Blu-ray;
O Blu-ray virou padrão depois da desistência do HD-DVD. (Imagem: simpson33/Getty Images)
  • Já estabelecido, o formato começa a evoluir: em 2009, a Panasonic lança o primeiro player de Blu-ray portátil, enquanto a Sharp lança televisores com leitores desse disco já embutidos. Até mesmo computadores começam a sair com drives de leitura que suportam o formato;
  • Nesse período, discos em Blu-ray começaram a adotar também o 3D como possibilidade. A tecnologia teve uma onda de exibição em salas de cinema e com a venda de TVs e computadores com suporte a esse tipo de conteúdo, que durou alguns anos até ficar novamente restrita;
  • Outro avanço importante foi registrado em 2015 com o Blu-ray Ultra HD, que é o formato para resolução 4K e taxa de até 60 quadros por segundo (fps).

A tecnologia começou a chegar oficialmente no Brasil com aparelhos da Samsung em 2007, mas sob vendas baixas pelo alto preço e catálogo reduzido. A Tectoy fabricou o primeiro reprodutor nacional de Blu-ray dois anos depois, enquanto a Microservice foi a primeira empresa a replicar discos no Brasil com mídias pré-gravadas;

No país, o Blu-ray disputou quase o mesmo espaço com o DVD, mas era vendido a preços nada atrativos enquanto os discos da geração anterior estavam cada vez mais em oferta.

O Blu-ray ainda existe?

O Blu-ray está longe de ser um formato de mídia física morta ou superada e até hoje segue como o padrão no lançamento de filmes, seriados, jogos e outras mídias em disco. 

Também não há um sucessor em vista em termos de maior capacidade de imagem ou armazenamento de dados, já que ele atualmente atende os padrões de indústrias como Smart TVs e consoles.

O Xbox Series X tem um leitor de Blu-ray Ultra HD. (Imagem: Divulgação/Microsoft)

Empresas como a Panasonic e a Verbatim até hoje fabricam o disco Blu-ray, enquanto marcas como Asus, LG e Pioneer seguem lançando drives compatíveis — seja para uso interno em computadores ou como leitores externos, conectados via USB.

Além disso, os consoles PlayStation 5 e Xbox Series X|S da atuação geração possuem ao menos uma variante com leitor desse tipo de disco. Porém, alguns fatores do mercado contemporâneo fazem com que ele seja menos utilizado por uma grande parcela dos consumidores.

 

Os discos de Blu-ray ainda tem um alto valor, algo que tende a não mudar na medida em que a fabricação e a demanda dessas mídias não devem mais crescer de forma considerável. Além disso, plataformas de streaming e lojas digitais hoje são preferência na compra de jogos ou filmes e na assinatura de serviços na nuvem.

A própria Sony anunciou o encerramento da produção de gravadores de Blu-ray em fevereiro de 2026, depois de parar também de fabricar as mídias desse disco. Ela só deve manter a venda de reprodutores da mídia, mas não se sabe até quando.

No Brasil, a venda de aparelhos e lançamentos em Blu-ray é ainda mais escassa e restrita que em mercados como Japão e EUA: a Disney deixou o mercado de mídia física na América Latina ainda em 2020, citando apenas um dos exemplos. Companhias como a Versátil, que lança coleções de gêneros ou diretores, seguem como exceções que seguem atuando no mercado nacional.

Um box de Blu-ray voltado para colecionadores brasileiros. (Imagem: Divulgação/Versátil)

Atualmente, ter mídia física é visto por muitos como um ato de resistência e posse por fãs e colecionadores, dado o catálogo restrito e fragmentado de plataformas de streaming e a possibilidade de conteúdos serem removidos do acervo desses serviços.

Que fim levou a JVC, pioneira dos aparelhos de VHS e inventora da vitrola? Saiba neste artigo do TecMundo!

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