Que fim levou o eMule, programa com icônico mascote que servia para baixar músicas?

Hoje em dia, é possível encontrar músicas até mesmo dos artistas mais obscuros e independentes em plataformas de streaming ou redes sociais. Só que a situação nem sempre foi essa e, nas duas primeiras décadas de vida da internet, programas de compartilhamento de arquivos em formatos como o MP3 reinavam de forma absoluta — até que fossem fechados por autoridades ou então após ações judiciais.

Entre as muitas alternativas desse segmento, um programa se destacava pelo catálogo com arquivos mais obscuros, o simpático mascote presente na logo e um funcionamento que poderia ir do intuitivo ao complexo dependendo da paciência do usuário para aprender a utilizá-lo. É o eMule, um nome que pode desbloquear memórias de muita gente que navegou pela rede nos anos 2000.

Mas você sabe o que aconteceu com esse software, que com os anos foi deixado de lado com as mudanças do mercado? A seguir, conheça a trajetória e também o paradeiro atual desse verdadeiro dinossauro da internet.

O primeiro trote da mula

O eMule nasceu oficialmente em 2002 como derivado de um outro programa de compartilhamento de arquivos: o eDonkey2000. O nome é uma brincadeira com o serviço original que usa o prefixo “e” de “eletrônico” e “donkey”, que é burro em inglês. Já “mule” significa mula, que é a fêmea do animal.

O eDonkey era relativamente popular, mas desagradava parte da comunidade por trazer alguns defeitos e limitações. Liderado por Hendrik Breitkreuz, um usuário conhecido como Merkur, o eMule nasce como um cliente de código aberto para servir de alternativa ao programa original.

A tela de instalação já com o clássico mascote do software. (Imagem: Reprodução/Softonic)

Quatro anos depois, entretanto, o jogo vira: o eDonkey é fechado como parte de um acordo judicial, com a desenvolvedora MetaMachine não conseguindo manter o projeto após processos de gravadoras por acusações de pirataria. A alternativa continua no ar e vira uma espécie de sucessora oficial.

Esse desfecho era relativamente comum na época para esse tipo de software. O Napster, pioneiro no compartilhamento de arquivos MP3, revolucionou a troca digital de arquivos e fechou as portas pouco tempo depois afundado em processos em multas. Problemas similares também atingiram quem veio depois, como o Kazaa e o LimeWire.

Como funcionava o eMule

O eMule é um programa que age como cliente P2P, ou peer-to-peer. Isso significa que ele funciona com base em uma rede descentralizada e com pessoas (os “pares”) trocando arquivos entre si a partir dos próprios computadores, em vez de estarem hospedados em um servidor principal.

Assim como no caso do torrent, cada parte da comunidade fornece fragmentos dos dados até que a transferência esteja finalizada. Ao mesmo tempo, você também auxilia outras pessoas que desejam baixar os mesmos arquivos. Quanto mais pessoas envolvidas no processo, maior a velocidade do download e vice-versa.

O cliente na página de downloads. (Imagem: Divulgação/eMule Project)

Inicialmente, o eMule se conectava na mesma rede P2P do eDonkey, além de usar outras fontes de arquivos, como a Kad. Ele contava ainda com uma busca mais avançada que concorrentes. Isso significa que o programa tinha uma alta quantidade de arquivos de arquivos que talvez não estivessem disponíveis em outros programas, como raridades em músicas, quadrinhos e filmes.

Por outro lado, ele também não estava livre de problemas. Clientes alternativos e fraudulentos se espalhavam por fontes não oficiais, carregando malwares danosos ao PC dos usuários. Além disso, a pirataria de músicas no período era praticamente uma loteria: você não sabia exatamente se estava baixando o arquivo correto e nem se ele viria livre de ameaças.

O que aconteceu com o eMule?

O eMule perdeu boa parte da popularidade já na segunda metade da década de 2010, com o surgimento de uma segunda onda de programas de download de músicas e serviços online, como o Grooveshark. A popularização do torrent e, em seguida, a chegada da iTunes Music Store e das plataformas de streaming, pulverizou ainda mais a base de usuários.

Entretanto, mesmo distante da fama anterior, o eMule segue ativo e operante. Desde 2017, uma versão do cliente de downloads desenvolvido pela própria comunidade segue no ar e até mesmo o fórum do programa continua ativo. Apesar de não serem os únicos, países de língua espanhola ainda seguem especialmente participantes por lá.

No fórum, pessoas tiram dúvidas, trocam experiências e auxiliam na criação de atualizações para o programa, inclusive relatando bugs. Porém, são menos arquivos disponíveis atualmente e as próprias redes de compartilhamento estão desatualizadas, o que significa baixa velocidade de download e a ausência de funções modernas.

Mesmo longe do auge, portanto, o eMule continua de pé graças ao esforço de quem sempre manteve o projeto de pé. E o programa carrega ainda um legado impressionante: só no site SourceForge, já foram mais de 695 milhões de downloads do programa desde a sua criação. No Baixaki, ele também é um sucesso: a versão para Windows passou das 65 milhões de instalações.

Para além dos programas citados acima, o brasileiro também adotou um site para hospedar e baixar arquivos como músicas e softwares: o 4shared. Quer saber o que aconteceu com ele? Confira neste artigo do TecMundo!

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