Em especial nas décadas de 1990 e 2000, um hábito comum de quem tinha um computador era copiar CDs e depois DVDs de todos os tipos — álbuns dos seus artistas favoritos, jogos, softwares completos, filmes ou um backup de arquivos importantes. Para isso, programas especializados se destacavam como uma forma intuitiva de guiar o usuário por esse processo.
Talvez um dos nomes mais famosos nesse ramo é o Nero Burning ROM, ou simplesmente Nero, que ficou marcado na memória de muita gente pela logo curiosa, a facilidade de uso e a utilidade em um período de alto consumo de CDs graváveis, inclusive com conteúdos piratas.
Em um período em que mídias físicas são cada vez mais itens de colecionador, faz sentido existir um programa como o Nero? Aliás, será que ele segue disponível para download em um mercado tão diferente do seu auge? A seguir, confira o que o TecMundo descobriu sobre ele.
O que é o Nero?
O Nero é um programa de gerenciamento de mídias físicas como CDs, capaz de gravar, converter e alterar conteúdos de um disco. A primeira versão foi lançada ainda em 1997 para Windows e ele teve um curto período de variantes também no Linux.
O produto foi criado pela desenvolvedora alemã Ahead Software, que em 2005 mudou o próprio nome para Nero, unificando a marca com a sua criação mais famosa.
O período de lançamento foi importante para que ele virasse uma referência no setor. Na década de 1990, o CD de música e o CD-ROM para computadores estavam se popularizando, com a gravação e a compra de CDs virgens — discos sem qualquer conteúdo gravado neles — aos poucos ficando mais acessíveis.
O Nero tinha como principal destaque ser um serviço prático para quem desejava criar os próprios CDs, seja em mídias apenas graváveis ou regraváveis. Mas o programa foi ganhando novas ferramentas com o passar dos anos, como um serviço de backup e até edição de áudio, além do suporte para DVDs.
Versões como o Nero 7, de 2005, já eram uma verdadeira central multimídia com uma série de recursos adicionais. Apesar de ter qualidade e oferecer uma experiência mais profissional para quem desejava, eles nem sempre eram usados pela maioria do público, que apenas queria a função de fazer a gravação de discos e acabava migrando para a versão Express.
Além disso, a empresa começou a lançar toda uma suíte de aplicativos — como se fosse o pacote Office, mas voltados para gerenciamento, transferência, compilação e até edição de arquivos de diferentes formatos, de imagens até vídeos.
Desde o começo, os softwares da empresa Nero, incluindo o gravador de discos, são pagos. Porém, o período gratuito de testes era aproveitado ao máximo pelo usuário, sem contar as versões piratas do software que circulavam com frequência.
O significado de “queimar” CDs
O nome Nero é uma grande brincadeira. À primeira vista, ele é apenas uma referência ao famoso imperador da Roma Antiga, um tirano que teria causado um grande incêndio na cidade durante o seu governo, entre 54 d.C. e 68 d.C.
A própria logo do Nero representa o Coliseu em chamas e o nome completo dele inclui “Burning ROM” — que é a Memória de Apenas Leitura (ROM), mas também é quase a palavra Roma.
Porém, essa é também uma referência ao principal recurso do programa: “queimar” CDs. Essa atividade, que em português é uma tradução literal do verbo “to burn”, é uma expressão que deriva do próprio processo de gravação de dados de um desses discos.
As informações do disco, como faixas de um álbum ou arquivos, são gravadas em um CD ou DVD a partir de um laser que preenche ranhuras minúsculas presentes nesses produtos. Quando você insere o disco em um aparelhos, esses sulcos são refletidos por um segundo laser, o do leitor óptico.
O programa Nero ainda existe?
Apesar de estar longe do auge em popularidade e hoje ser mais lembrado por nostalgia por quem viveu o auge da gravação de discos, o Nero Burning ROM segue no ar e recebendo atualizações.
O Nero Burning ROM 2026, que custa R$ 256 e tem ainda um período de testes, ainda protege os dados com criptografia e é capaz de extrair os conteúdos de um CD, inclusive em formato sem compressão como o FLAC.
Ele também fortaleceu a imagem de gerenciador de mídia, com suporte até para Blu-ray e edição de vídeo. Para quem faz mais coisas pelo celular, até mesmo uma versão para dispositivos móveis foi lançada.
Porém, a situação do mercado hoje é completamente diferente e nada favorável ao software:
- A gravação em disco hoje é possível nativamente no próprio Windows, como um passo a passo simplificado do que o Nero oferecida;
- Há uma preferência de consumo via streaming de jogos, filmes e séries, além do download digital de softwares por lojas digitais. Ao mesmo tempo, cada vez mais pessoas adotam plataformas na nuvem para armazenar e compartilhar arquivos, como o Google Drive;
- Como resultado, há um menor uso de mídias físicas em disco, trocadas por esses métodos digitais ou no máximo drives de armazenamento externo, como HDs ou pendrives.
Apesar de seguir existindo como um dos múltiplos softwares oferecidos pela empresa, a popularidade dele já não é mais a mesma: em 2016, a Nero dizia ter 12 milhões de usuários no Brasil, mas não há atualizações sobre qual seria o público atual dele por aqui.
Que fim levou o Blu-ray, o padrão de mídia física para alta definição? Descubra nesta matéria do TecMundo!