A inteligência artificial já começou a mudar a forma como infrações de trânsito são identificadas no Brasil. Uma reportagem especial exibida pelo Fantástico, neste domingo (4), mostrou como radares equipados com IA estão sendo usados para flagrar motoristas sem cinto de segurança e manuseando o celular ao volante em rodovias do país.
As imagens reveladas pelo programa mostram registros feitos de forma automática pela tecnologia, que atua como apoio às autoridades de trânsito. Segundo especialistas, o uso do celular durante a condução de veículos se tornou um dos principais fatores de risco nas estradas brasileiras.

Distração ao volante preocupa autoridades
Para Alessandro Pereira, gerente de operações de uma concessionária citada na reportagem, o cenário atual é alarmante. Ele afirma que o trânsito enfrenta hoje o que chama de “epidemia da distração”. Se antes os motoristas apenas falavam ao telefone, agora muitos dirigem enquanto digitam mensagens, ampliando significativamente o risco de acidentes.
Esse tipo de comportamento, segundo ele, exige novas ferramentas de fiscalização, capazes de identificar infrações que antes passavam despercebidas pelos métodos tradicionais.

Como funciona o radar com inteligência artificial
De acordo com o Fantástico, as câmeras usadas nesse sistema são instaladas em pontos estratégicos das rodovias e contam com resolução ultradefinida. Elas conseguem captar detalhes mesmo com veículos em alta velocidade, chegando a 300 km/h, e funcionam tanto de dia quanto à noite, sem prejuízo causado por reflexos ou baixa luminosidade.
A inteligência artificial analisa as imagens em tempo real e sinaliza possíveis infrações. Segundo Cassio Vinícius Carletti Negri, coordenador de gestão operacional, o sistema passa por um processo de treinamento com um conjunto de dados previamente selecionado. A partir disso, a IA consegue identificar situações semelhantes em imagens que ainda não analisou.
Validação humana antes da multa
Apesar do uso de automação, a reportagem destaca que nenhuma autuação é feita sem conferência humana. As imagens captadas pela tecnologia passam por análise de agentes antes da aplicação da multa.
Fábio Rocha de Souza, inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), explica que o papel do policial é verificar se não houve erro na identificação feita pela inteligência artificial. Só após essa confirmação a infração é oficialmente registrada.
Resultados em Ribeirão Preto
Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foi uma das primeiras regiões a adotar o sistema. Segundo dados apresentados na reportagem do Fantástico, entre julho e novembro de 2025, foram registradas mais de 20 mil infrações.
Desse total, mais de mil foram por uso do celular ao volante e quase 17 mil por falta do cinto de segurança. A concessionária responsável pela operação afirma que, após a instalação dos equipamentos, houve redução de 30% nos acidentes no trecho monitorado.
Para Ana Caetano, gerente de operações da concessionária, a percepção de fiscalização constante influencia diretamente o comportamento dos motoristas e contribui para aumentar a segurança viária.
Por que usar o celular é tão perigoso?
O Fantástico também ouviu Antonio Meira, presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego). Ele explica que o uso do celular provoca três tipos de distração simultâneos: manual, visual e cognitiva.

Segundo Meira, a 80 km/h, o simples ato de ler uma mensagem pode fazer com que o motorista percorra até 100 metros sem atenção à via, o que ele descreve como dirigir praticamente às cegas.
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Drones reforçam fiscalização no Rio de Janeiro
Além dos radares com IA, a reportagem mostrou outra frente tecnológica em operação no país. No Rio de Janeiro, drones estão sendo usados para identificar motoristas que tentam burlar a Lei Seca.
As aeronaves auxiliam na detecção de condutores que param antes da blitz para trocar de lugar com passageiros, além de manobras irregulares como retorno na contramão ou travessia de canteiros centrais. As imagens aéreas permitem que as equipes realizem a abordagem rapidamente.
Anthony Lima, superintendente da PRF no Ceará, afirma que o objetivo dessas ações é promover mudanças de comportamento no trânsito, com foco direto na preservação de vidas.
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