O simbólico Relógio do Juízo Final foi adiantado para a posição mais alarmante de sua história, marcando agora apenas 85 segundos para a meia-noite — o horário que representa o fim da civilização. O ajuste, anunciado nesta terça-feira (27) pelo Bulletin of the Atomic Scientists, reflete uma avaliação sombria de que os riscos de uma catástrofe global provocada pelo homem estão se intensificando rapidamente.
Esta é a terceira vez em quatro anos que o ponteiro é movido para mais perto da aniquilação, agora quatro segundos mais próximo do que em 2024. A decisão foi fundamentada em uma “falha global de liderança” e em múltiplas crises convergentes.
Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim dos Cientistas Atômicos , afirmou em nota: “A mensagem do Relógio do Apocalipse não poderia ser mais clara. Os riscos catastróficos estão aumentando, a cooperação está diminuindo e estamos ficando sem tempo. A mudança é necessária e possível, mas a comunidade global deve exigir ações rápidas de seus líderes.”

Por que o Relógio do Juízo Final avançou?
Os cientistas apontaram um cenário de deterioração em várias frentes:
- Colapso do Controle Nuclear: A expiração iminente do último grande tratado entre EUA e Rússia (Novo START), a possibilidade de retomada de testes nucleares pelos EUA e a postura agressiva de potências nucleares como Rússia, China e Coreia do Norte.
- Conflitos Sob a Sombra Atômica: As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, e as tensões em pontos como Taiwan e a fronteira Índia-Paquistão, que ocorrem com a ameaça de escalada nuclear sempre presente.
- Ameaças Tecnológicas Emergentes: O uso predatório da inteligência artificial e de plataformas de mídia social para espalhar desinformação e minar a coesão social. A vencedora do Nobel da Paz, Maria Ressa, presente no anúncio, alertou sobre um “apocalipse da informação” que alimenta todas as outras crises.

Fundado em 1945 por luminares como Albert Einstein, o Bulletin criou o relógio em 1947 como um alerta metafórico sobre a proximidade de um desastre antropogênico. O ajuste de 2025 não é apenas sobre bombas, mas sobre a combinação tóxica de nacionalismo agressivo, falência das instituições diplomáticas e tecnologias que amplificam o perigo.
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A mensagem é clara: na ausência de uma guinada imediata na governança global, a trajetória atual leva inexoravelmente à meia-noite. O relógio não prevê o futuro; ele mede a vulnerabilidade do presente. E, segundo seus guardiões, nunca estivemos tão vulneráveis.
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