Home Variedade Review: Life is Strange Reunion é uma fanfic feita sob medida para fãs

Review: Life is Strange Reunion é uma fanfic feita sob medida para fãs

by Fesouza
12 minutes read

A franquia Life is Strange está de volta para o que pode ser o seu último grande game com Max e Chloe. A Square Enix lançou, em 26 de março, Life is Strange Reunion, sequência direta do divisivo Double Exposure.

Disponível no PC, PS5 e Xbox Series S e X, o jogo continua a narrativa na Universidade de Caledon, que agora está ameaçada por um incêndio. Para lidar com a situação, Max usa seus poderes de voltar no tempo mais uma vez, assim como no primeiro game da franquia.

Para completar a dose, a história ainda conta com o retorno de Chloe, que está passando por uma grande crise após os acontecimentos do último game. Não vou entrar em spoilers aqui, mas se você é fã da franquia, sabe do que estou falando.

Com esse combo de modernidade e nostalgia, Life is Strange Reunion acaba entregando uma experiência dentro do esperado, o que não significa muita coisa. Ainda assim, o título acerta notas que com certeza vão agradar os fãs de Max e Chloe.

Velhas amigas presas em um ambiente de trabalho tóxico

Quando comecei a jogar Life is Strange Reunion, me senti encontrando uma dupla de velhas amigas que não vejo desde o ensino médio. Ambas estão lindas e com uma personalidade que lembra os bons momentos de antigamente.

No entanto, enquanto a nostalgia bate forte, as duas estão presas em um ambiente de trabalho tóxico e que não pode ser ignorado. E o nome dele é Universidade de Caledon.

Life is Strange Reunion poderia ser chamado de Double Exposure 2: além de usar a mesma estrutura gráfica e de gameplay, o título é uma continuação direta do jogo anterior da franquia, que trouxe decisões questionáveis em sua história – tão questionáveis que até mesmo o estúdio Deck Nine desistiu de algumas delas.

E não dá pra falar da história de Reunion sem relembrar alguns pontos de Double Exposure. Logo, só continue esse bloco se você já jogou ou não se importa com spoilers.

Captura de tela nº 6

A narrativa do jogo começa com Max retornando para a Universidade de Caledon, onde é professora, e descobrindo que um grande incêndio está tomando o lugar. Ela, então, resolve voltar no tempo em uma foto para três dias antes da tragédia, visando salvar todo mundo e impedir o atentado.

No meio disso tudo, Chloe acaba retornando como uma consequência das ações de Double Exposure. No jogo anterior, Max usou seus poderes para fundir duas realidade e salvar sua amiga Safi, e acabou fazendo o mesmo com a garota do primeiro jogo.

E, como muitas coisas na franquia, a ação possui consequências: Chloe está viva com as memórias de duas linhas do tempo diferentes, lembrando de uma vida na estrada com Max ou de estar morta no banheiro de uma escola em Arcadia Bay – dependendo da escolha que você fez no final de Life is Strange 1.

Com essa premissa, o jogo amarra muito bem o retorno da personagem, já que ambos os finais do primeiro jogo são atendidos. No entanto, isso também tira o peso da decisão final do game original, algo que já ocorria em Double Exposure.

No entanto, o problema não para por aí. Afinal, tirando a relação entre Max e Chloe, estamos falando de uma sequência direta do jogo mais divisivo de toda a franquia.

Uma universidade em chamas

A história de Reunion coloca Max e Chloe juntas para lidar com um incêndio em Caledon. O objetivo do jogador é encontrar quem é o culpado pelo atentado, enquanto realiza escolhas com ambas as personagens.

Para isso, o jogador precisa lidar com o núcleo de personagens apresentado em Double Exposure. A experiência envolve conversar com rostos do jogo anterior e lidar com problemas que começaram no outro título.

A narrativa principal envolve a troca de comando na universidade, que agora é dirigida por Owen Teller, um executivo que busca transformar o local em um polo tecnológico. Seus planos de expansão, no entanto, acabam irritando moradores locais e até mesmo alunos da misteriosa Casa Abraxas.

Captura de tela nº 7

O gameplay se passa, majoritariamente, nas mesmas áreas que visitamos no jogo anterior. Além disso, temos também o retorno de personagens como Vinh, Amanda, Reggie e Loretta, bem como Safi e Moses, que possuem papel de destaque na trama.

Para quem não curtiu a história do jogo anterior ou só chegou em Reunion por causa do retorno de Chloe, a ambientação pode ser bem chata. Afinal, o game acaba expandindo a história de qualidade duvidosa do game anterior, sem muito desenvolvimento extra.

Enquanto Moses recebeu um desenvolvimento consistente, a jornada de Safi parece repleta de arrependimentos dos roteiristas – a personagem toma atitudes que vão contra o final do jogo anterior, que se passa meses antes da nova história. 

Já o restante dos personagens seguem arquétipos já conhecidos ou simplesmente se movimentam de maneira conveniente para a história. Assim como no game anterior, em muitos momentos o jogo só quer que você aceite algumas coisas e segue em frente sem muitas explicações. 

Captura de tela nº 3

A boa notícia é que nem tudo é derrota nesta abordagem. As interações de Max e Chloe, com as atuações de Hannah Telle e Rhianna DeVries, carregam a história: temos muitos momentos entre a dupla de protagonistas que arrancam risos e emoção.

Ainda assim, ter que lidar com Caledon acaba pesando o clima. A Deck Nine até consegue criar uma tensão com um grande mistério da Casa Abraxas e a busca pelos culpados pelo incêndio, mas o jogo está longe da excelência esperada para o seu escopo.

Depois de um tempo, toda a estrutura do game parece um amontoado de reciclagem de plots. Em muitos momentos, parece que a empresa não quis arriscar e só jogou no seguro para agradar os fãs com uma dose de nostalgia e soluções convenientes.

Escolhas que tem impacto

Na parte do gameplay, a principal evolução de Reunion está nas escolhas, que possuem grandes impactos em relação ao jogo anterior. Seja com Max ou Chloe, as decisões que você faz impactam diretamente no rumo da narrativa.

No caso de Max, o gameplay envolve a mecânica de ir e voltar no tempo, com a resolução de quebra-cabeças que, normalmente, envolvem conversar com personagens para obter informações. Em alguns casos, a jogabilidade também traz um pouco mais de ação, como desarmar bombas em uma casa que está prestes a ser demolida.

O próprio uso dos poderes de voltar no tempo acaba tendo influencia na narrativa: em alguns casos, retornar e fazer um personagem esquecer uma conversa pode ser importante lá na frente. Além disso, se você exagerar na habilidade, Max pode se sentir “heroína demais”, o que afeta seu comportamento no desfecho do game.

No caso de Chloe, a sua principal mecânica de gameplay é o “Bate-Boca”, onde ela entra em uma discussão acalorada com outros protagonistas. Aqui, o jogador precisa explorar o ambiente e interpretar pistas para ganhar a discussão.

Captura de tela nº 4

No fim das contas, o sistema é similar às escolhas de maior impacto, aquelas que dividem a tela com uma música no estilo “Avenida Brasil”, mas dentro do escopo da Chloe. Ao ganhar ou perder as discussões, informações que podem ser úteis no decorrer do gameplay e nas decisões finais estão em jogo.

Com esses dois sistemas principais pairando as escolhas, Life is Strange Reunion entrega três finais diferentes, evoluindo a clássica fórmula da Deck Nine. Para quem conhece os títulos feitos pela empresa, o jogo conta com o clássico “hub” em que todo mundo está reunido e o protagonista precisa conversar com todo mundo.

No entanto, Reunion também conta com uma decisão final que pesa a jornada do jogador, evoluindo a experiência que tivemos em Double Exposure. Ainda assim, o game deixa claro que o estúdio segue com medo de ousar.

A Square Enix divulgou Life is Strange Reunion como o grande desfecho da saga de Max e Chloe. No entanto, mesmo assim, o jogo ainda conta com finais consideravelmente previsíveis e que vão agradar os fãs que amam o casal Max e Chloe, mas que claramente poderiam ser mais elaborados.

Um novo caminho para a franquia

Como já disse em outras ocasiões aqui no Voxel, a franquia Life is Strange marcou a minha vida como gamer com seus primeiros jogos justamente por causa de sua pegada antológica e suas escolhas que realmente deixaram um impacto no final.

O primeiro jogo, produzido pela Dontnod, foi marcante por trazer uma decisão difícil e que se tornou um marco no mundo dos games. Já o segundo título elevou a fórmula ao trazer cinco desfechos diferentes para a jornada dos irmãos Diaz, todos com um alto impacto emocional.

Enquanto Life is Strange Reunion evolui a fórmula da Deck Nine, o desfecho do game ainda não traz um peso que vai te deixar impacto. No máximo, você vai se emocionar com a nostalgia trazida pela jornada de Max e Chloe.

Durante a jornada em Reunion, a Deck Nine fez algumas mudanças na história que claramente visam corrigir aspectos que renderam críticas em Double Exposure, como a narrativa ao estilo “Vingadores” de que mais pessoas possuem poderes. Ainda assim, caso a Square Enix deixe a saga nas mãos da empresa, possivelmente ainda teremos a franquia seguindo para novos rumos.

A história entregue em Reunion, bem como o seu sucesso inicial, mostram que o público que ainda segue a franquia não está tão interessado em novas histórias, mas sim em Max e Chloe. Com isso em mente, não duvido a Square Enix voltar atrás na ideia de aposentar a dupla, ou fazer mais jogos que vão orbitar a dupla para sempre.

Mesmo com o tom de despedida, todos os desfechos de Reunion também deixam aberto um possível retorno das personagens. Além disso, o caminho para sequências com Diamond e outros personagens também foi pavimentado.

Para mim, que sou fã de boas narrativas e histórias originais, esse caminho definitivamente não é o melhor. No entanto, como Reunion prova, a simples nostalgia de reencontar Max e Chloe já pode ser suficiente para muitos jogadores.

Muitos problemas técnicos

Enquanto a história de Reunion pode agradar os fãs mais ávidos da franquia, os problemas técnicos vão afetar todo mundo. Em seu lançamento, Life is Strange Reunion conta com vários bugs no PS5, plataforma onde testamos o game.

Por aqui, eu testei o jogo no PS5 Pro, que traz o hardware mais potente para consoles na atualidade. No entanto, nem isso foi capaz de evitar problemas como falhas no carregamento de texturas, bugs em expressões faciais e glitches gráficos.

Review: Life is Strange Reunion é uma fanfic feita sob medida para fãs

Como o jogo reutiliza a mesma base de Life is Strange Double Exposure, a expectativa era que o título não fosse tão problemático na parte técnica. Resta agora aguardar por atualizações que tornem a experiência mais fluída.

Outro ponto que pode render polêmica é a duração do game. É possível terminar Life is Strange Reunion e testar seus diferentes desfechos em cerca de oito horas de gameplay, com as sequências de Chloe sendo mais curtas que as de Max.

Por outro lado, Life is Strange Reunion capricha em outros aspectos. O título conta com legendas em português brasileiro e uma ampla gama de opções de acessibilidade, o que pode ser útil não somente para jogadores PCDs, mas para quem busca uma experiência customizada de gameplay.

Vale a pena?

Life is Strange Reunion marca uma grande evolução narrativa em comparação com Double Exposure, mas deixa um gosto de que foi feito como uma grande fanfic para agradar jogadores mais entusiastas do casal Max e Chloe. E isso faz muito sentido, visto que a Square Enix vendeu o game como a última grande aventura da dupla.

Ainda assim, o estúdio Deck Nine cai em maneirismos já conhecidos do estúdio e perde a chance de elevar o nível da franquia em sua obra mais aguardada até agora. Regado de nostalgia, Reunion até pode agradar fãs, mas é apenas mais um exemplo de como grandes franquias de games podem se perder com o tempo. E no mercado de games, não existe Rewind para tentar uma nova rota.

Nota do  Voxel: 78

Pontos positivos

  • Interações entre Max e Chloe carregam a narrativa com momentos emocionantes e divertidos
  • Sistema de escolhas com impacto maior na história
  • Mecânicas de gameplay distintas entre Max e Chloe
  • Três finais diferentes que ampliam a fórmula da série
  • Legendas em português brasileiro e boas opções de acessibilidade

Pontos negativos

  • História depende demais de Double Exposure
  • Ambientação reaproveitada e com pouco desenvolvimento
  • Foco na nostalgia e pouca ousadia narrativa
  • História curta e sessões rápidas com a Chloe
  • Muitos problemas técnicos no lançamento

Uma cópia de Life is Strange Reunion foi cedida para review pela Square Enix para PS5 Pro. O game já está disponível no PC, PS5 e Xbox Series S e X. 

You may also like

Leave a Comment