Review: Xbox ROG Ally X é poderoso, mas tropeça no Windows e preço alto

Depois de anos de rumores sobre uma ida direta para o mundo dos videogames portáteis, em 2025 a Microsoft anunciou uma parceria inusitada: sim, nós teremos um portátil — e não, nós não iremos fabricá-lo, mas sim fazer uma parceria! E aí entra a ASUS na jogada, com a linha ROG Ally, concorrente direto do Steam Deck , o PC gamer portátil da Valve.

Com duas versões anunciadas, a parceria tem visado principalmente o público que quer jogar em qualquer lugar e a qualquer momento (ou seja, quase a mesma visão que a Xbox tem reforçado cada vez mais nos últimos anos). O portátil que temos em mãos é a versão mais potente, o Xbox ROG Ally X, que o pessoal da Xbox gentilmente cedeu pra gente fazer esta análise.

E agora, com mais de um mês testando o PC portátil em casa, no transporte público, em viagens e em todo tipo de lugar possível, posso dizer que… embora leve o nome Xbox no nome, ele não é um Xbox.

Um portátil estiloso

O “Xbox” frente a marca ROG no nome do aparelho não existe a toa, já que a parceria entre as gigantes rendeu belos detalhes nessa nova carenagem da máquina. Enquanto o Xbox ROG Ally base venha somente na cor branca, o Xbox ROG Ally X é totalmente feito na cor preta, assim como as versões Series e One da marca. 

Diferente dos modelos anteriores, que tinham um formato retangular, agora o Xbox ROG Ally possui apoios para as mãos, bastante similar ao controle do Xbox. Além da estética, isso foi bom pois uma das reclamações de quem usou os modelos anteriores era justamente sua pegada, que incomodava após algumas horas de uso, mesmo este modelo pesando 37 gramas a mais.

Imagem: Lucas Ghitelar/TecMundo
  • Peso: 715 g  
  • Dimensões (L x P x A)29.0 x 12.1 x 2.75 ~ 5.09 cm

Na frente do aparelho, é possível ver o nome “Xbox ROG” bem pequeno e repetidas vezes, deixando claro mais uma vez a parceria entre marcas. Assim como nos outros modelos, os botões seguem os padrões dos controles do Xbox (A, B, X, Y), dois analógicos hall effect com LED customizável e um direcional. 

Do lado direito temos o botão de pausa e um botão de biblioteca, que te leva aos jogos do Xbox assim que pressionado. O botão de acesso ao Armory Crate trocou para o lado esquerdo, junto do botão de captura de tela ou hub social (dependendo do jogo) e o botão do Xbox, uma das novidades da qual iremos falar em breve.

  • 1 conector 3,5mm para fone / microfone 
  • 1x USB 3.2 geração 2 Tipo-C® com suporte para DisplayPort™/fornecimento de energia 
  • 1x suporte Tipo C USB 4 (compatibilidade com Thunderbolt™ 4, DisplayPort™ 1.4 com suporte Freesync, Power Delivery 3.0) 
  • 1x leitor de cartão microSD UHS-II (suporta SD, SDXC e SDHC)

Na parte de cima, além dos quatro gatilhos (RB, RT, LB, LT), temos também o botão de ligar com leitor digital, uma entrada P2 e uma microSD UHS-II, botão de volume e duas entradas USB-C, sendo uma delas 3.2 com suporte para DisplayPort e fornecimento de energia.

Imagem: Lucas Ghitelar/TecMundo

USB-C 4 compatível com Thunderbolt 4, DisplayPort 1.4 com suporte Freesync, Power Delivery 3.0). Ou seja: compre um hub bom e seja feliz caso queira usar o Ally X com monitor, mouse e teclado. Na traseira, temos dois botões adicionais customizáveis atrás do aparelho (M1 e M2), além das duas saídas de ar que ficam aqui no topo.

Mesma tela, mas bem resistente

Na parte da tela, não tivemos grandes mudanças do modelo anterior, já que a ASUS resolveu manter a tela IPS LCD Full HD. A taxa de atualização continua na casa dos 120 Hz, casando com o AMD FreeSync Premium também disponível. O brilho de 500 nits também permanece inalterado, então atrapalha um pouquinho se você for jogar embaixo do sol — coisa que não recomendo muito fazer.

A tela multitouch tem tecnologia Gorilla Glass Victus, resistente a riscos e quedas de até 2 metros e foi posta em prática. Ao ir ao trabalho e durante as viagens, o Ally X ficou dentro da mochila com diversas coisas jogadas em cima dele algumas vezes, e até agora… sem nem um arranhão. Porém, não recomendo fazer isso, já que pelo preço de venda, bem que podiam mandar um case protetor junto. Além disso, a tela também tem o Gorilla Glass DXC, que foca mais na parte antirreflexo, que também não desapontou.

Um mini-monstro portátil 

Aqui as coisas começam a mudar um pouco: a CPU foi atualizada para AMD Ryzen Z2 AI Extreme e GPU integrada RDNA 3, onde antes era a Ryzen Z1 Extreme. Com 24GB e armazenamento de 1 TB NVMe, o portátil é capaz de ter mais desempenho enquanto gasta menos energia dependendo do jogo escolhido, porém é quase uma faca de dois gumes ter que equilibrar isso.

  • Sistema Operacional: Windows 11 Home 
  • Tela: LCD LED de 7″, Sensível ao Toque, nível IPS, FHD, 120 Hz 
  • Processador: AMD® Ryzen™ Z2 AI Extreme 
  • Placa de Vídeo: AMD Radeon™ Graphics 
  • Memória RAM: 24 GB LPDDR5X 
  • Armazenamento: 1 TB SSD PCIe® NVMe M.2 
  • Conectividade: Wi-Fi 6E

Clair Obscur, por exemplo: fora da tomada no modo desempenho 17W, o FPS cai para 20fps durante cutscenes, tendo que alterar para o modo Turbo de 20W para um maior aproveitamento do game, que depende muito de respostas rápidas para vencer batalhas. 

Porém, ao rodar Indiana Jones e o Grande Círculo o jogo ficava entre 35fps e 40fps no modo Turbo, sem engasgos. Call of Duty Black Ops 7, embora tenha tido algumas limitações na parte gráfica, consegue rodar na casa dos 60fps sem muitas quedas se comparado com Clair Obscur. Qualquer coisa, o FSR — tecnologia de upscaling que “estica” a imagem sem sacrificar a qualidade visual — está disponível para uso, afinal… é um PC. 

Imagem: Felipe Oliveira/TecMundo

Jogos mais leves como Assassin’s Creed Mirage e Routine, ao contrário dos já citados, rodam com tranquilidade, sem travamentos constantes, sendo uma ótima experiência de uso. Assim como um notebook, se você quiser um desempenho alto em todos os jogos, também é possível conectar o portátil na tomada para garantir mais performance.

O ponto alto fica para a bateria, que dura mais em títulos que não exigem muito do hardware, melhorando ainda mais com jogos otimizados pela Microsoft para o Xbox ROG Ally X. Tony Hawk Pro Skater 3+4, Indiana Jones e Starfield, por exemplo, rodam muito bem para o tamanho deles.

A falta de um sistema dedicado 

Aqui, pensando como usuário comum, é onde as coisas começam a pesar um pouquinho. Responde aí, o que o Nintendo Switch e o Steam Deck tem em comum além de ser um portátil? Se você respondeu “um sistema próprio”, acertou. Embora nesta versão do Xbox ROG Ally tenha um botão dedicado ao sistema Xbox, você ainda está refém de um Windows 11, que pode ter ou não problemas de compatibilidade, instalação em algumas coisas ou só problemas… de Windows.

Hogwarts Legacy, por exemplo: ao resgatar em dezembro na Epic Games, instalei o jogo para jogar numa viagem a trabalho e continuar os testes. Ainda em casa, resolvi abrir o jogo para ver se estava tudo bem, só que não. Uma mensagem de incompatibilidade do DirectX apareceu na tela, não me deixando jogar. 

Tendo que arrumar a mala, desinstalei o jogo e baixei via Game Pass enquanto eu terminava minhas coisas. Cabe dizer que você ganha três meses de Game Pass Ultimate ao adquirir um Xbox ROG Ally. Problema resolvido? Não, pois tive que alterar as configurações de tela – cinco minutos depois, o download parou por conta das configurações de suspensão do display.

  • Sistema operacional: Windows 11
  • Xbox Game Pass: três meses no plano Premium
     

Durante a viagem, mais uma surpresa: tanto Hogwarts Legacy quanto outros quatro baixados pelo Game Pass não abriam, pois precisavam de conexão de internet para rodar. Tony Hawk ‘s Pro Skater 3+4 foi o único jogo que abriu, enquanto Call of Duty Black Ops 7, após uma longa espera, ia para o menu somente para dizer que também precisava de conexão para o modo campanha. 

No review do modelo anterior, o Léo fez essa mesma reclamação, sugerindo até uma entrada de chip de internet. E antes que você comente “ué, mas é só rotear internet do celular”, saibam que dentro do ônibus eu fiz isso, porém… dentro do avião, tendo que pagar em dólar para acessar a internet, o buraco é mais embaixo. Pensando como um usuário que comprou um desses pensando em viagem, dar de cara com esse problema, com certeza me deixaria bem chateado.

Imagem: Felipe Oliveira/TecMundo

Embora o Xbox Ally X venha com um “modo tablet” do Windows (experiência de tela cheia do Xbox para os íntimos) para facilitar a navegação pelos controles, alguns programas como Steam e a Epic Games só funcionam usando o touchscreen, problema que acontece desde o último modelo lançado. Quanto ao “modo Xbox”, nada para reclamar, já que a navegação pela interface é bem intuitiva e prática, assim como o Armory Crate: um botão e você tem acesso rápido a modos de operação, limitadores de FPS e configurações básicas.

Bateria boa (mas não exagere) 

Eu falei um pouco sobre a bateria agora há pouco, porém vale reforçar algumas coisas sobre este quesito. O Xbox ROG Ally X possui uma bateria de 80 Watt-hora com uma fonte de 65 W, entrada TIPO-C e adaptador AC, que leva cerca de 56 minutos para atingir 50% da carga e mais ou menos duas horas e dez minutos para atingir os 100%. Olhando tanto a fonte quanto as configurações, achei que levaria menos tempo para o carregamento completo.

  • Jogos 2D ou até mais simples tendem a drenar menos bateria, dependendo do modo de uso que você opta usar, chegando a cerca de quatro horas no modo Desempenho, o que diminui caso você opte pelo modo Turbo. 
  • Jogos AAA no modo Desempenho aguentam cerca de três horas e meia, que diminuem drasticamente no modo Turbo, chegando em quase duas horas de bateria. 
  • Se você está longe da tomada e quer jogar algo que necessite ataques rápidos, como Prince of Persia: The Lost Crown ou Clair Obscur, sugiro usar direto na tomada com 35W.

 

Se você optar por jogar via Xbox Cloud Gaming, nem precisa se preocupar: como não é o aparelho que está processando os jogos, a bateria irá durar umas boas onze horas, algo que, imagino eu, seja um dos motivos da Xbox apostar tanto nesse aparelho.

Vale e pena? 

Embora o Xbox ROG Ally X acerte no seu hardware, mesmo que utilizando poucas coisas do modelo anterior, a experiência do usuário, no final, importa bastante. Uma das coisas que fazem com que o Steam Deck dê certo é justamente a facilidade em usá-lo — já que a Valve tem seu próprio sistema, o SteamOS, que usa a arquitetura Linux para funcionar.

Algumas pessoas podem comprar o aparelho justamente achando que é um Xbox portátil, sendo que, diferente do console, você terá que atualizar drivers e programas justamente por ser um Windows portátil. No lançamento, a interface de tela inteira do Xbox estava sob testes, melhorando muito do lançamento pra cá. Acredito que com algumas atualizações, a experiência do usuário pode sim melhorar, só basta a Microsoft querer.

Além disso, seu preço nada convidativo no Brasil assusta um pouco: no lançamento, esta versão foi anunciada custando R$ 9.999, o dobro do preço de um Xbox Series S. Enquanto escrevia este review, ele estava custando R$ 9.404, um desconto que ainda assim, é impraticável hoje em dia. 

Embora tenha um ótimo hardware, é muito difícil defender este preço quando existem opções tão boas quanto custando quase a metade do preço. O cenário fica ainda mais desafiador quando vemos que existe a chance de pagar ainda mais barato se você importar, e ainda tendo somente três meses de Game Pass, que neste caso em especifico, seis seria no mínimo justo.

Espero demais que, com o passar do tempo, o preço do Xbox ROG Ally X caia, porque ele é um ótimo dispositivo, mesmo com algumas coisas a melhorar. No entanto, neste exato momento, por ironia do destino, o portátil do Xbox não cabe no bolso do brasileiro – seja em tamanho ou em preço.

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