Robôs e gadgets: como a OpenAI quer ir além do ChatGPT

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, parece preparar o terreno para deixar de ser apenas uma empresa de software e se tornar também fabricante de hardware. Depois de crescer no ramo da inteligência artificial (IA), a companhia estaria trabalhando numa linha de dispositivos próprios — desde uma caixinha de som inteligente até óculos inteligentes. Um gravador de voz e um pin vestível também podem estar nos planos.

Ao mesmo tempo, a empresa já mira mais longe: contratou especialistas em robótica para desenvolver algoritmos capazes de dar mais autonomia a robôs humanoides. O movimento mostra que a OpenAI quer diversificar seus negócios e explorar diferentes formas de aplicar IA no mundo físico, indo muito além do chatbot que a tornou famosa.

OpenAI pode estar preparando uma nova era de dispositivos e robôs

A estratégia da OpenAI aparentemente combina apostas de curto e longo prazo. De um lado, a parceria com o designer Jony Ive, ex-Apple, abre caminho para uma família de gadgets sem tela, portáteis e com assistentes de IA embutidos. De outro, a empresa investe em pesquisa em robótica humanoide, contratando nomes de peso para treinar máquinas capazes de entender e interagir com o mundo real.

Os primeiros dispositivos no horizonte

A OpenAI já teria começado a dar forma ao seu primeiro produto de hardware. Segundo informações publicadas pelo The Information e repercutidas pelo The Verge, a empresa trabalha num dispositivo que se parece com um smart speaker, mas sem tela. A ideia é oferecer um aparelho portátil, discreto e capaz de interagir por voz, sem depender de uma interface visual.

Aposta de Altman (dir.) e Jony Ive (esq.) é criar produtos sem tela e com foco na interação por voz e contexto por meio da IA (Imagem: OpenAI)

Além desse modelo, fontes disseram que a OpenAI avalia lançar um óculos inteligentes, um gravador de voz digital e até um pin vestível. Esses projetos ainda estão em fase inicial, mas refletem a visão do CEO da empresa, Sam Altman, de criar uma “família de dispositivos” que explore novas formas de interação com a IA.

O cronograma previsto indica que os primeiros lançamentos podem chegar ao mercado entre o fim de 2026 e o início de 2027. Ou seja, ainda há tempo até que os planos saiam do papel. Mas a estratégia já começa a movimentar parceiros da indústria e atrair a atenção de investidores.

Esse conjunto de aparelhos marca a tentativa da OpenAI de entrar num espaço hoje dominado por empresas como Apple, Google e Amazon, que já oferecem dispositivos próprios de consumo. A diferença é que a aposta de Altman e do designer Jony Ive é criar produtos sem tela e com foco total na interação por voz e contexto.

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Planos de longo prazo: a aposta na robótica

Além dos gadgets de consumo, a OpenAI tem um olhar voltado para o futuro da robótica. A empresa iniciou a contratação de pesquisadores especializados em robôs humanoides, com o objetivo de treinar algoritmos capazes de interpretar melhor o mundo físico. A ideia é dar mais autonomia às máquinas para que consigam se movimentar, reconhecer ambientes e executar tarefas do dia a dia.

Projeções apontam que mercado dos humanoides deve decolar nos próximos anos (Imagem: Gabriel Sérvio via DALL-E/Olhar Digital)

Entre os nomes contratados está Chengshu Li, pesquisador de Stanford que já trabalhou em projetos voltados para robôs domésticos. A presença de profissionais desse nível indica que a OpenAI não pretende se limitar ao software: ela quer explorar como sua IA pode ser aplicada em corpos robóticos capazes de agir de forma prática e independente.

Ainda não está claro se a empresa vai criar seus próprios robôs, usar hardware de parceiros ou apenas fornecer os sistemas de IA para empresas do setor. Mas o movimento reforça que a OpenAI não quer depender apenas do ChatGPT. E já se posiciona num campo que pode transformar a relação entre humanos e máquinas na próxima década.

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