Se cuida, Nvidia! Meta e AMD fecham acordo de US$ 100 bilhões para compra de chips

A Meta e AMD anunciaram um acordo bilionário para expansão de infraestrutura de inteligência artificial. Pelo contrato, a empresa de Mark Zuckerberg comprará até 6 gigawatts em chips da fabricante americana ao longo dos próximos cinco anos – um volume que pode superar US$ 100 bilhões em receita para a AMD.

O acordo prevê a aquisição de unidades da nova geração de GPUs da empresa, a série MI450, que serão utilizadas para alimentar data centers ligados à IA. A Meta planeja iniciar a implantação do primeiro gigawatt ainda este ano.

Segundo a AMD, cada gigawatt de poder computacional representa dezenas de bilhões de dólares em faturamento potencial. Inclusive, o anúncio da parceria impulsionou as ações da fabricante, que, segundo o Wall Street Journal, abriram em alta de cerca de 7%.

O movimento é um avanço da AMD na disputa com a Nvidia pelo mercado de chips de IA. A CEO Lisa S afirmou que o objetivo do contrato é fortalecer a posição da companhia frente à concorrência. “A Meta tem muitas opções. Queremos garantir que estaremos sempre presentes quando pensarem em suas próximas necessidades”, afirmou antes do anúncio oficial da parceria.

Além da compra de chips, o acordo inclui um componente financeiro relevante: a AMD concederá à Meta títulos que permitem a aquisição de até 160 milhões de ações, o equivalente a aproximadamente 10% da companhia, ao preço simbólico de US$ 0,01 por papel.

A realização do negócio está condicionada ao cumprimento de metas específicas, como a valorização das ações da AMD até US$ 600. Na segunda-feira anterior ao anúncio, o papel fechou cotado a US$ 196,60.

Chips de IA da AMD vão alimentar os data centers da Meta (Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)

AMD e Meta frente à concorrência

Acordos entre big techs e desenvolvedoras de IA com fornecedoras de poder computacional (como as fabricantes de chips) têm se tornado comuns no setor de tecnologia.

Tanto a AMD quanto a Nvidia vêm adotando modelos de financiamento que incentivam contratos de longo prazo com clientes estratégicos. Em outubro, a AMD fechou um acordo semelhante com a OpenAI.

A Meta, por sua vez, tem ampliado agressivamente seus investimentos em infraestrutura de IA. Na semana passada, a empresa fechou um acordo multibilionário para comprar milhões de GPUs da Nvidia para o projeto Meta Compute. A iniciativa busca expandir a capacidade computacional da companhia para desenvolver modelos de IA e aprimorar seu negócio de publicidade.

Antes disso, em janeiro, Zuckerberg já havia afirmado que a empresa pretende instalar “dezenas de gigawatts” de poder computacional em data centers ao longo desta década, com potencial de alcançar “centenas de gigawatts ou mais” no futuro. No ano passado, a Meta destinou US$ 72 bilhões à construção de data centers e planeja investir até US$ 135 bilhões neste ano.

O acordo com a AMD também marca um passo importante na estratégia de personalização de chips. Diferentemente dos modelos tradicionais de GPUs de uso geral da empresa, a série MI450 foi projetada com uma arquitetura baseada em “chiplets” – pequenos blocos de silício interconectados – que facilitam adaptações específicas para cada cliente.

No caso da Meta, os chips serão otimizados para tarefas de inferência, processo pelo qual modelos de IA respondem a solicitações de usuários. Com isso, a AMD também passa a competir de maneira mais direta com a Broadcom, atualmente a maior desenvolvedora de chips personalizados do mundo.

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