Quem acompanha as especificações técnicas de lançamentos da indústria deve ter percebido um novo padrão em alguns smartphones. A capacidade das baterias de várias fabricantes apresentou um salto significativo recentemente, com números cada vez mais elevados em miliampere-hora (mAh).
Ao longo de poucos meses, modelos de 6.000 mAh até 8.000 mAh chegaram ao mercado — e a expectativa é de que baterias com o dobro dessa capacidade surjam muito em breve. Isso significa que você vai precisar cada vez menos de um carregador ou até power bank de emergência, mesmo com um uso intenso do aparelho.
A explicação para essa mudança no mercado tem nome: o silício-carbono, padrão de bateria que deve ficar cada vez mais comum em modelos tanto top de linha quanto mais acessíveis.
A seguir, o TecMundo reuniu informações essenciais para que você entenda essa tecnologia que já pode estar presente no seu próximo celular.
O que é a bateria de silício carbono?
A bateria de silício-carbono é, na verdade, uma subcategoria de fontes de energia de íon-lítio — a estrutura que já é usada há décadas nesses componentes e que parecia ter atingido o pico no caso de smartphones, que nas dimensões atuais trazem uma média de 5.000 mAh de capacidade.

A diferença está no eletrodo negativo da bateria, o ânodo, que é responsável pelo efeito de oxidação e por liberar elétrons no processo de armazenar e fornecer energia. Em bateria comuns de íon-lítio, o material mais utilizado no ânodo é o grafite, mas ele foi substituído pelo silício nesses novos componentes.
O silício, essencial também na construção de semicondutores, possui uma densidade energética cerca de 10 vezes maior que o grafite: a capacidade de carga dele é de 420 mAh/g, contra 372 mAh/g do material mais tradicional nas baterias.
Na prática, isso significa que o silício consegue fornecer uma quantidade de energia muito maior do que ânodos de grafite sem precisar de mais espaço. O resultado é que o tamanho das baterias e o peso dos aparelhos permanecem praticamente os mesmos ao mesmo tempo em que há ganho de capacidade.

Já o carbono entra em forma de um composto justamente para reduzir efeitos negativos do silício, que se usado de forma pura nas baterias poderia trazer até riscos de vazamento na bateria ou explosão no dispositivo — falamos mais sobre esses possíveis problemas mais adiante.
Outra vantagem do formato está na resistência contra temperaturas negativas. O frio intenso reduz o carregamento de baterias convencionais de íon-lítio, mas o uso do silício permite esse processo mesmo em condições mais extremas de até -20ºC.
E os pontos negativos?
Até agora, fabricantes como Apple e Samsung, que são algumas das líderes de mercado, além da Google, ainda resistem na adoção do formato. São vários os motivos para isso, mas o principal reside em um problema regulatório em países como os Estados Unidos.
- Células de energia com capacidade maior que 20Wh são classificadas no país como “bens perigosos” em transporte e envio, o que significa que há maior custo na logística de importação dessas peças. Fabricantes chinesas, mais próximas da produção das baterias e que trabalham com menor margem de lucro dos aparelhos, se preocupam menos com esse fator.
- Além disso, há ainda algumas preocupações técnicas a respeito desses novos materiais. O silício usado puro ou em alta porcentagem aumenta o risco de expansão do componente durante a carga ou altas temperaturas — algo preocupante em teoria, mas que é remediado pelo controle na proporção dele com o carbono.
- O maior questionamento reside na vida útil dessas baterias: a troca do grafite pelo silício pode significar também que a longevidade desses componentes será menor, justamente por degradações naturais da expansão e contração do componente.
- Regulamentações como a da União Europeia obrigam fabricantes de baterias a divulgarem resultados de testes de durabilidade feitos em laboratório e, neste caso, os resultados têm sido satisfatórios: as fontes de energia do Group14, uma das fornecedoras de silício-carbono da indústria, já aguentam mais de 1.500 ciclos de carga mantendo a capacidade de retenção de energia acima dos 80%.
Em resumo, é preciso observar o comportamento dessas baterias nas condições reais. A partir de 2026, já será possível notar se o desempenho delas nos primeiros celulares com essa fonte de energia decaiu no mesmo ritmo ou de forma mais acelerada que em outros smartphones.
O futuro das baterias de silício-carbono
Nomes como Honor, Realme, Oppo, Huawei, Xiaomi, Vivo (ou Jovi no Brasil), OnePlus e Nothing são algumas das fabricantes que já adotaram o silício-carbono nas baterias e dificilmente vão abandonar esse formato a partir de agora.
A chinesa Honor foi a primeira a trazer essa tecnologia para os celulares, com a linha Magic 5 de 2023 sendo a primeira a trazer essa bateria. Em seguida, outras marcas apresentaram os próprios modelos, com números cada vez maiores atingidos: há rumores de que a Realme já esteja testando um componente de 15.000 mAh, de longe o recorde da categoria.

Para além dos top de linha, que tendem a estrear inovações tecnológicas, a nova estrutura deve beneficiar bastante modelos intermediários ou mais focados em custo-benefício. O Redmi Note 13 Pro+, por exemplo, tem uma bateria convencional de íon-lítio com 5.000 mAh, enquanto o Redmi Note 14 já saiu com uma capacidade de 6.200 mAh graças ao silício-carbono.
Celulares dobráveis também podem se beneficiar dessa nova estrutura. Essa categoria de dispositivos é ainda mais preocupada em reduzir a espessura da bateria e ter capacidade próxima dos modelos convencionais e isso pode ser possível agora.
No futuro próximo, especula-se que outros eletrônicos também podem adotar o silício-carbono, como fones de ouvido, smartwatches e até óculos inteligentes — aparelhos menores e que normalmente recebem críticas justamente pela curta duração das baterias atualmente.
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