O dirigente de um clube de futebol da Rússia acusou um ex-treinador do time de utilizar inteligência artificial (IA) em várias etapas do cotidiano do clube. Ele teria aplicado várias sugestões da plataforma ChatGPT que se provaram ruins dentro e fora de campo e usado ele como principal ferramenta de trabalho.
O caso foi denunciado por Andrei Orlov, que trabalhou como diretor esportivo do FC Sochi, e envolve o técnico espanhol Robert Moreno. Ele comandou a equipe russa durante 62 partidas entre dezembro de 2023 e agosto de 2025.
- Segundo o executivo, todo o cronograma de concentração, treinos e até deslocamentos foi criado com base em conteúdos do ChatGPT, a plataforma generativa da OpenAI;
- O plano estabelecido pela IA trazia informações obviamente equivocadas, como sugerir que os jogadores ficassem 28 horas sem dormir antes de uma partida;
- O técnico teria usado a ferramenta também na busca por novas contratações para o clube: a chegada de um atacante chamado Artur Shushenachev, do Cazaquistão, teria sido feita com base em uma indicação da IA e não surtido efeitos em campo;
- Por virar “uma das principais referências” do treinador, o uso do serviço foi visto como inadequado e as decisões polêmicas teriam desagradado muito tanto a equipe técnica e os dirigentes quanto o elenco.
Moreno assumiu o FC Sochi na segunda divisão nacional e até conquistou o acesso, mas foi demitido depois de sete partidas na temporada seguinte.
Técnico nega uso de ChatGPT entre tecnologias de análise
Moreno, que chegou a ser auxiliar técnico e também treinador interino da seleção espanhola em 2019, enviou uma nota ao jornal Marca com um posicionamento sobre o caso.
O treinador alega que nunca utilizou a IA para tomar decisões sobre táticas ou rotinas e também diz que a demissão não envolve a denúncia de Orlov — com quem ele inclusive teria se desentendido durante a trajetória no clube, o que explicaria a inimizade.
“Nunca utilizei o ChatGPT ou nenhuma IA para preparar partidas, decidir escalações ou escolher jogadores. Como qualquer equipe técnica, utilizamos ferramentas de análise (vídeo, dados, recrutamento) para organizar informações, mas as decisões esportivas e humanas são sempre do treinador e a sua delegação”, afirma.
O técnico ainda diz que até utilizou a plataforma para fazer traduções do espanhol para o russo, “assim como todo mundo faz“. Além disso, a saída teria sido “de mútuo acordo” após os resultados ruins e nada motivada pela preferência por alguma tecnologia.
Conheça nesta matéria a tecnologia que faz com que pessoas cegas ou de baixa visão “sintam” e compreendam uma partida de futebol.
