Na busca por gases frios ao redor de uma galáxia, pesquisadores receberam ajuda de um fenômeno descrito por Einstein há mais de 100 anos. Disponível no servidor de pré-impressão arXiv, o estudo revela como o espaço-tempo deu “zoom” em um brilhante quasar.
Os astrônomos se depararam com um intrigante fenômeno gravitacional enquanto estudavam RXJ1131-1231, uma galáxia ativa a 6 milhões de anos-luz da Terra. Em seu centro há um quasar, um astro supermassivo formado quando buracos negros gigantes começam a se alimentar de grandes quantidades de matéria.
Dupla de lentes gravitacionais aproximou galáxia dos cientistas
No caminho para RXJ1131-1231, há uma dupla de lentes gravitacionais, um fenômeno descrito pelo físico Albert Einstein em 1915 em sua Teoria da Relatividade Geral. Esse efeito corre quando objetos massivos entre a Terra em um astro distante dobram o espaço-tempo como uma lente colossal, conhecida como “macrolente”.
Esse fenômeno também pode ocorrer de forma mais leve, nomeada de “microlente”, quando um corpo cósmico menos massivo que uma galáxia altera minimamente a imagem de um astro distante.
A equipe observava a galáxia RXJ1131-1231 com o telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, quando registraram três imagens distintas, cada uma com variações no brilho. O fenômeno despertou a curiosidade dos astrônomos, que decidiram investigá-lo com mais profundidade.

O grupo percebeu que a dupla de lentes gravitacionais, macro e micro, deu um efeito de “zoom duplo” para suas observações. Isso faz com que a galáxia pareça três vezes maior do que o normal. Segundo os autores, isso pode ocorrer devido à presença de uma estrela entre a galáxia e a Terra, que faria o trabalho da microlente.
“Com esse ‘zoom duplo’, a ampliação pela galáxia e a pela estrela, é como se você estivesse colocando duas lupas uma em cima da outra”, explicou Matus Rybak, astrônomo da Universidade de Leiden, na Holanda, e líder da pesquisa, em um comunicado.
Observações futuras podem revelar mais sobre o quasar
Os pesquisadores estudam RXJ1131-1231 desde 2015, tendo registrado em 2020 variações no brilho do quasar. As análises revelaram que ele oscila no decorrer dos anos, emitindo uma radiação de ondas milimétricas, um tipo geralmente liberado por gás e poeira com movimentações lentas.
O grupo acredita que essa radiação indica a presença de um faixa de material quente e altamente magnética em forma de rosca, conhecida como “corona”, ao redor do buraco negro supermassivo.

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Agora, os astrônomos pretendem seguir estudando RXJ1131-1231. Para investigar melhor seu quasar, a equipe utilizará o telescópio de raios-x Chandra, capaz de medir a temperatura e a intensidade dos campos magnéticos ao redor do buraco negro supermassivo.
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