Trapaça ou arte? Muralistas do mundo todo usam VR para pintar paredes perfeitas

O que o brasileiro Junior Grafite e a muralista da cidade de Nava, no México, Airam, tem em comum? Ambos viralizaram nas redes ao mostrar seu método de trabalho: os dois usam um headset Meta Quest 3 para projetar virtualmente seus desenhos diretamente nas superfícies onde vai pintar. Com o design “flutuando” na visão por meio dos óculos de realidade aumentada, a artista simplesmente segue as linhas virtuais com tinta real, sem medições manuais, sem grade desenhada na parede e sem risco de errar a escala. O vídeo rapidamente gerou debate internacional sobre os limites entre tecnologia e arte.

Por trás da técnica estão aplicativos como o Contour e o Stencil VR, disponíveis na Meta Store por cerca de dez dólares, que permitem ao artista projetar designs digitais diretamente no espaço físico por meio do modo passthrough do headset. O processo é mais simples do que parece: o artista carrega a imagem do desenho no aplicativo, posiciona e escala a projeção virtual na parede com os controles do óculos, e então começa a traçar o contorno com lápis ou spray, seguindo as linhas que só ele enxerga. O sistema trabalha com as câmeras do Quest 2 e Quest 3 para sobrepor a arte digital à superfície real, facilitando a criação do esboço antes de começar a pintura de verdade. 

Não é a primeira vez que a tecnologia entra no processo

Assim como a fotografia e o Photoshop foram acusados de “matar a pintura” no século XIX, a realidade aumentada enfrenta resistência (Imagem: Reprodução/Instagram)

A ideia de usar recursos externos para transferir imagens em grande escala não é novidade no universo dos murais, mas a realidade aumentada eleva esse conceito a outro patamar. Muralistas veteranos já trabalhavam com projetores para transferir esboços nas paredes, e a técnica era considerada por alguns como “trapaça” mesmo antes da era VR. A realidade aumentada elimina dependências de equipamentos pesados, ângulos de projeção e condições de iluminação, tornando o processo muito mais flexível e acessível.

Artistas tradicionais questionam se o auxílio tecnológico compromete a integridade artística, debate que ecoa discussões históricas sobre projetores, papel de transferência e até ferramentas básicas como réguas. O óculos não cria a arte, apenas elimina a parte mais trabalhosa e menos criativa do processo. Segundo dados levantados pelo Urban Nation Institute, instalações de realidade aumentada na arte urbana cresceram 300% entre 2020 e 2023, e 68% dos artistas de rua com menos de 30 anos já incorporam ferramentas digitais ao seu trabalho.

O paralelo histórico é inevitável. Da mesma forma que a fotografia foi acusada de “matar a pintura” no século XIX, e o Photoshop foi chamado de trapaça nas décadas seguintes, a realidade aumentada enfrenta resistência de quem enxerga na dificuldade técnica uma parte indissociável da arte. Talvez, daqui a alguns anos, escolas de arte ofereçam aulas inteiras com turmas usando óculos de realidade aumentada para aprender composição e perspectiva. No TecMundo tem muito mais pra explorar: notícias quentíssimas de tech, análises de gadgets, vídeos que explicam o que ninguém explica e podcasts pra ouvir no caminho!

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