Trojan GoPix agora rouba Pix, boletos e criptomoedas

Um dos malwares financeiros mais sofisticados em circulação no país ganhou novas capacidades. A Kaspersky divulgou nesta segunda-feira (16) um alerta sobre a evolução do GoPix, trojan bancário brasileiro que agora, além de redirecionar transações Pix corporativas, também manipula boletos e endereços de carteiras de criptomoedas — tudo sem que a vítima perceba.

O golpe começa com um clique inocente: o usuário pesquisa algo no Google e se depara com um anúncio pago malicioso disfarçado de serviço legítimo, como WhatsApp, Google Chrome ou Correios. Ao acessar o link, é levado a um site dos criminosos que verifica se o visitante é um alvo em potencial — cliente de banco brasileiro, usuário de criptomoedas ou funcionário de órgão governamental ou grande empresa. Só então o falso instalador é oferecido para download.

Malware pode se instalar após cliques em anúncios pagos do Google, que oferecem instaladores falsos de serviços legítimos (Imagem: Aria sandi hasim / Shutterstock.com)

Vale lembrar que o Pix também está na mira de ameaças para Android: na semana passada, reportamos aqui no Olhar Digital o PixRevolution, trojan que monitora a tela de smartphones para desviar transferências em tempo real. O GoPix, por sua vez, faz o mesmo — mas voltado a computadores e notebooks com Windows.

Como o GoPix age depois de instalado?

Uma vez no sistema da vítima, o trojan monitora tudo o que é copiado e colado. Se o usuário copiar uma chave Pix, um código de boleto ou um endereço de carteira digital, o GoPix substitui esses dados na hora da colagem, desviando o dinheiro para os criminosos sem deixar sinais visíveis.

O malware também usa arquivos de proxy (PAC files) apontando para um servidor local para interceptar o tráfego de internet durante a navegação em sites bancários. Com isso, os criminosos conseguem alterar informações em tempo real, mesmo em páginas protegidas por HTTPS.

Certificado falso na memória do navegador

A técnica mais sofisticada do GoPix envolve a injeção de um certificado digital falso diretamente na memória do navegador. O certificado é aceito como legítimo pelo browser, permitindo que o trojan se posicione entre o usuário e o banco — interceptando credenciais e valores de transações antes que cheguem ao destino real.

GoPix é capaz de injetar certificado digital falso em navegadores (Imagem: JMiks / Shutterstock.com)

Por existir apenas na memória, sem gravação no sistema operacional, o certificado se torna praticamente invisível para ferramentas de segurança convencionais, tornando a fraude muito difícil de detectar em tempo real.

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Ativo desde 2022 e em constante evolução

Segundo Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina e Europa, o GoPix está ativo em campanhas desde dezembro de 2022. O especialista destaca que o malware opera diretamente da memória, deixando pouquíssimos rastros, e utiliza servidores de comando e controle com vida útil extremamente curta — desligados e substituídos rapidamente para escapar do rastreamento.

Como se proteger do GoPix

A Kaspersky recomenda algumas medidas para reduzir o risco:

  • Desconfie de anúncios pagos em buscadores que oferecem downloads de aplicativos populares
  • Baixe programas somente dos sites oficiais dos desenvolvedores
  • Mantenha um antivírus atualizado instalado no computador
  • Atualize regularmente o sistema operacional e os navegadores

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