Tsunamis não são sempre previsíveis: satélite revela padrões inesperados em Kamchatka

Um satélite capturou dados inéditos do tsunami gerado por um terremoto de magnitude 8,8 na Península de Kamchatka, na Rússia, em julho. O registro, segundo o Phys.org, pode transformar a forma como cientistas monitoram e preveem ondas gigantes no Pacífico.

O estudo mostrou que tsunamis gigantes não se comportam exatamente como os modelos antigos indicavam, abrindo caminho para previsões mais precisas e alertas mais eficazes em comunidades costeiras.

Registro inédito de tsunami em Kamchatka pode transformar a forma de monitorar e alertar comunidades costeiras. Imagem: Alex Izeman/Shutterstock

SWOT: um novo olhar sobre o oceano

O satélite SWOT (Surface Water Ocean Topography), lançado em dezembro de 2022 pela NASA em parceria com a agência espacial francesa CNES, registrou o primeiro tsunami da zona de subducção em alta resolução.

Antes, só conseguíamos ver tsunamis em pontos específicos. Agora podemos capturar faixas de até 120 km de largura com dados sem precedentes da superfície do mar.

Angel Ruiz-Angulo, pesquisador da Universidade da Islândia, em nota.

A equipe de Ruiz-Angulo também combinou imagens do satélite com informações de boias DART, que monitoram tsunamis em tempo real, para reconstruir a ruptura do terremoto com precisão. O resultado revelou detalhes inesperados sobre a propagação das ondas.

Satélite SWOT registra tsunami em alta resolução e revela detalhes inéditos da propagação das ondas. Imagem: The Seismic Record (2025)

Descobrindo padrões inesperados

O tsunami de Kamchatka desafiou a ideia de que grandes tsunamis são não dispersivos. O que isso significa: normalmente, tsunamis gigantes se comportam como “ondas inteiras”, que viajam pelo oceano sem se espalhar ou se fragmentar.

Ou seja, a onda principal mantém sua forma por longas distâncias. O registro do SWOT mostrou que, na prática, essas ondas podem se comportar de forma mais complexa do que os modelos antigos imaginavam.

Essa descoberta é extremamente relevante porque:

  • O tsunami se espalhou de forma complexa pela bacia do Pacífico, não como uma onda única.
  • O comprimento da ruptura do terremoto foi de 400 km, maior que os 300 km previstos anteriormente.
  • Modelos numéricos que consideram dispersão das ondas se mostraram mais precisos.
  • A integração de dados DART e satélites foi essencial para entender a dinâmica do tsunami.

Segundo Ruiz-Angulo, “essa variabilidade extra pode alterar a onda principal à medida que ela se aproxima da costa, algo que precisamos quantificar para melhorar a previsão”.

Tsunami no Pacífico se espalhou de forma complexa, desafiando modelos antigos de previsão de ondas gigantes. Crédito: MyOpinion/Shutterstock

Descoberta pode impactar alertas e segurança

O estudo não apenas aprimora o conhecimento científico, como também tem implicações práticas. Incorporar dados de satélites como o SWOT em sistemas de alerta pode reforçar a segurança de milhões de pessoas nas regiões costeiras do Pacífico.

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Um tsunami de magnitude 9,0 em 1952, na mesma região, levou à criação de sistemas internacionais de alerta. Hoje, a tecnologia moderna permite uma análise mais detalhada e rápida, aumentando a chance de salvar vidas.

O coautor Diego Melgar destacou que “é realmente importante misturar o máximo possível de tipos de dados para entender melhor cada evento”, criando um novo conjunto de ferramentas para estudar tsunamis e proteger populações.

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