A Ucrânia anunciou que começará a compartilhar dados coletados no campo de batalha com países aliados para ajudar no treinamento de sistemas de inteligência artificial (IA) voltados para drones militares. A iniciativa foi confirmada pelo ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, e faz parte da estratégia de Kiev para ampliar o uso de tecnologias autônomas no conflito contra a Rússia.
Segundo Fedorov, a Ucrânia acumulou um volume significativo de informações ao longo dos quatro anos da guerra contra os russos, incluindo registros visuais captados durante operações com drones. Esses dados agora serão utilizados para treinar modelos de IA capazes de reconhecer padrões, identificar alvos e analisar o comportamento de equipamentos e pessoas em cenários de combate.
De acordo com o ministro, o país criou uma plataforma específica para compartilhar essas informações de forma segura, permitindo que os parceiros desenvolvam algoritmos sem acesso direto a conteúdos considerados sensíveis.
Em mensagem publicada no Telegram, Fedorov afirmou que a Ucrânia reúne um banco de dados único, com milhões de imagens obtidas durante dezenas de milhares de missões de drones. O sistema vai disponibilizar aos aliados conjuntos de dados atualizados continuamente.
A expectativa do governo é que a colaboração acelere o desenvolvimento de tecnologias baseadas em IA que possam ser usadas diretamente no campo de batalha contra a Rússia. Para Kiev, a cooperação também pode resultar em novas soluções tecnológicas que reforcem a capacidade militar do país.
“Na guerra moderna, precisamos superar a Rússia em todos os ciclos tecnológicos”, escreveu o ministro, destacando que a IA se tornou uma das áreas centrais dessa disputa.
Guerra na Ucrânia acelerou avanço tecnológico
Desde o início da guerra na Ucrânia, o país investe em tecnologia de drones e sistemas automatizados – e, hoje, é um dos principais laboratórios de inovação nesse setor.
O volume de dados gerado durante o conflito acabou se tornando um recurso valioso para o desenvolvimento de novas aplicações de IA. Para empresas e governos estrangeiros, esses dados oferecerem exemplos reais de situações de combate.
Segundo a Reuters, a decisão do ministro da Defesa também busca reforçar o apoio político e militar internacional à Ucrânia, que tenta manter o fluxo de financiamento e assistência no quinto ano da guerra.
Ao mesmo tempo, o uso crescente de tecnologias autônomas tem alimentado debates sobre o papel da inteligência artificial em conflitos armados. Em setembro do ano passado, o presidente Volodymyr Zelensky alertou líderes mundiais durante a Assembleia Geral da ONU sobre o risco de uma escalada tecnológica envolvendo drones e IA.
Além da Ucrânia, a tecnologia também tem sido aplicada na guerra do Irã. Nesta semana, os Estados Unidos confirmaram que usam IAs avançadas em atividades militares. Saiba mais aqui.
O post Ucrânia vai ceder dados de guerra para que aliados treinem IAs apareceu primeiro em Olhar Digital.