O rápido aquecimento do Ártico está transformando a paisagem da região – e um dos sinais mais recentes dessa mudança é a expansão das turfeiras. Um estudo liderado pela Universidade de Exeter, publicado na revista Global Change Biology nesta sexta-feira (13), apontou que esses ecossistemas vêm avançando desde a década de 1950, com algumas bordas se deslocando mais de um metro por ano.
A pesquisa analisou 91 amostras coletadas em 12 áreas do Ártico europeu e canadense. Segundo os autores, a abrangência geográfica do levantamento indica que o fenômeno provavelmente não é localizado, mas ocorre em várias partes do Ártico.
Nas últimas quatro décadas, a região registrou um aumento médio de cerca de 4 °C, ritmo de aquecimento superior ao observado em outras partes do planeta. Esse cenário tem favorecido o crescimento da vegetação, incluindo espécies que desempenham papel central na formação de turfa.
As turfeiras são áreas alagadas que acumulam grandes volumes de matéria orgânica parcialmente decomposta, funcionando como importantes reservatórios de carbono. Embora cubram apenas cerca de 3% da superfície terrestre, armazenam aproximadamente 600 bilhões de toneladas de carbono.
Para medir esse avanço, os pesquisadores utilizaram amostras de solo coletadas em formato tubular, permitindo reconstruir a evolução desses ambientes ao longo do tempo. Os resultados mostram que as turfeiras analisadas ocupam hoje uma área maior do que em qualquer outro momento nos últimos 200 a 300 anos – possivelmente até mais.
De acordo com a equipe, o principal período de expansão coincidiu com a fase pós-industrial de aquecimento climático, reforçando a relação entre aumento de temperatura e crescimento desses ecossistemas.
O estudo identificou mudanças claras nas margens das turfeiras, mas não mediu a extensão total ocupada atualmente. Os autores ressaltam que são necessárias novas pesquisas para dimensionar com precisão a área coberta por esse mosaico em expansão.

Avanço das turfeiras no Ártico pode ser bom
Especialistas envolvidos na pesquisa destacam que o avanço das turfeiras pode alterar significativamente o balanço de carbono da região e da atmosfera. O aumento no armazenamento de carbono tende a contribuir para mitigar o aquecimento global.
No entanto, há um risco associado: se as temperaturas continuarem subindo de forma extrema, esses ecossistemas podem se degradar, liberando o carbono acumulado.
Além das mudanças climáticas, o Ártico também enfrenta crescente interesse econômico, com expansão de atividades como transporte marítimo e mineração. Para os pesquisadores, o reconhecimento da importância das turfeiras reforça a necessidade de proteção desses ambientes frágeis.
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