Quando o Sol se põe no horizonte, o céu diurno rosado de Marte muda de tom e dá lugar a um entardecer azul, seguido por horas de completa escuridão. Esse cenário totalmente livre de poluição luminosa é algo impossível de se ver aqui na Terra, mas graças a veículos exploradores robóticos da NASA presentes no Planeta Vermelho, podemos ter acesso a essa e outras visões raras das noites marcianas.
Na imagem abaixo, por exemplo, obtida pelo rover Curiosity em 2014, a Terra está brilhando mais intensamente do que qualquer estrela no céu noturno totalmente límpido de Marte.

Mais de uma década depois desse registro, a NASA divulgou um novo conjunto de imagens noturnas feitas pelo Curiosity. Desta vez, o destaque não está no céu, mas em uma perfuração realizada em uma rocha marciana, observada após o anoitecer para aproveitar uma capacidade técnica do sistema de iluminação artificial do equipamento.
O objetivo dessas observações noturnas é melhorar a análise dos materiais investigados. À noite, sem a interferência da luz solar, os LEDs do robô conseguem destacar texturas, cores e detalhes que passam despercebidos durante o dia, oferecendo dados mais precisos aos cientistas.
Curiosity foi pioneiro em poder trabalhar de dia e à noite
Desde que pousou em Marte, em agosto de 2012, o Curiosity realiza perfurações para estudar a composição do solo. As luzes usadas nessas análises fazem parte do instrumento Mars Hand Lens Imager (MAHLI), uma câmera capaz de registrar imagens em alta resolução a poucos centímetros da rocha.
Por ser alimentado por energia nuclear, o Curiosity não depende da luz do Sol para funcionar. Isso permite que ele opere tanto de dia quanto à noite, algo incomum em missões anteriores, que eram limitadas pela energia gerada por painéis solares.
Inicialmente, a iluminação noturna era usada para observar as camadas internas dos furos perfurados. Com o tempo, porém, mudanças na técnica de perfuração tornaram muitos desses buracos irregulares, dificultando esse tipo de análise detalhada.

Uma exceção ocorreu em 6 de dezembro de 2025, quando um furo feito em uma rocha chamada “Nevado Sajama”, perfurada semanas antes, apresentou uma superfície lisa o suficiente para permitir observações noturnas mais completas.
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Rover Perseverance também já fez imagens noturnas de Marte
Enquanto isso, o rover Perseverance, que chegou ao planeta oito anos e meio depois do Curiosity, também vem realizando atividades noturnas importantes. Em maio do ano passado, ele registrou pela primeira vez uma aurora visível em Marte, um fenômeno luminoso causado pela interação entre partículas solares e a atmosfera.

Apesar de não ter sido projetado para astrofotografia, o Perseverance também conseguiu registrar a passagem do cometa interestelar 3I/ATLAS, em outubro, a cerca de 30 milhões de quilômetros do planeta. Mesmo aparecendo apenas como um ponto difuso, o registro é cientificamente valioso.

Essas atividades mostram que o trabalho noturno dos exploradores robóticos em Marte é raro, mas extremamente relevante, revelando detalhes inéditos sobre o planeta e ampliando nossa compreensão do Sistema Solar.
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