Em um artigo publicado nesta quinta-feira (19) na revista Geophysical Research Letters, uma equipe internacional de cientistas revelou novos detalhes sobre a atmosfera superior de Urano.
A região estudada fica acima das nuvens do planeta, onde partículas carregadas eletricamente interagem com o campo magnético. Esse encontro é responsável pela formação das auroras no gigante de gelo.
Em resumo:
- Estudo revela detalhes inéditos da atmosfera superior de Urano;
- Auroras surgem da interação com campo magnético;
- JWST mapeou temperatura e íons em 3D;
- Campo inclinado espalha energia de forma irregular pelo planeta;
- Dados confirmam resfriamento contínuo desde os anos 1990.
Em um comunicado, Paola Tiranti, pesquisadora da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, explicou que a magnetosfera de Urano está entre as mais incomuns do Sistema Solar. “Como o campo magnético é inclinado e deslocado em relação ao eixo de rotação, as auroras se espalham pelo planeta de maneira irregular e complexa”.
Fenômeno foi observado pelo telescópio James Webb
Para investigar o fenômeno, os cientistas utilizaram o Espectrógrafo de Infravermelho Próximo (NIRSpec), instalado no Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA. Esse instrumento é capaz de analisar a luz emitida no infravermelho próximo, o que permite identificar variações de temperatura e detectar partículas eletricamente carregadas na atmosfera do planeta. Com essa tecnologia, os pesquisadores acompanharam Urano ao longo de sua rotação, observando como essas características mudam conforme diferentes regiões do planeta entram em campo de visão.
Os dados mostraram como temperatura e íons variam em diferentes altitudes da atmosfera. Isso ajudou a montar um mapa 3D inédito da região superior do planeta, que permite entender melhor como a energia circula nas camadas mais altas dos chamados gigantes de gelo.
De acordo com Tiranti, o nível de detalhe alcançado é fundamental para compreender o equilíbrio energético desses mundos. O resultado também pode servir de base para pesquisas sobre planetas semelhantes fora do Sistema Solar. Assim, o conhecimento obtido vai além de Urano.
O JWST tem ampliado a capacidade de observação de objetos distantes. Mesmo a milhões ou bilhões de quilômetros da Terra, ele fornece imagens e medições precisas. Em 2025, por exemplo, o observatório identificou uma nova lua orbitando Urano.
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Atmosfera superior de Urano em 3D permite análises detalhadas
Esta é a primeira vez que a atmosfera superior do planeta foi analisada em três dimensões. A sensibilidade do telescópio permitiu rastrear como a energia sobe pela atmosfera. Também foi possível perceber o efeito do campo magnético assimétrico sobre esse processo.
As primeiras informações detalhadas sobre Urano vieram da sonda Voyager 2, em 1986. Na ocasião, os cientistas descobriram que o planeta é extremamente frio em comparação aos seus vizinhos. Desde então, medições indicam que sua atmosfera superior continua esfriando.
Os novos dados confirmam essa tendência observada desde o início dos anos 1990. A equipe mediu temperatura média de cerca de 426 kelvins, equivalente a cerca de 150 graus Celsius – valor menor do que registros anteriores feitos por telescópios terrestres e espaçonaves.
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