Saiba o que é preciso para conseguir o visto para trabalhar nos EUA

Com o fim das restrições da pandemia de Covid-19, a sociedade norte-americana se vê em um impasse: apesar da alta demanda por produtos e serviços e da economia em recuperação, não há mão de obra para as vagas em aberto. Segundo o relatório Jolts do Departamento de Trabalho dos EUA, foram registradas mais de 11 milhões de vagas no final de 2021. A situação atípica gera oportunidades para profissionais brasileiros, levando suas qualificações e experiências como diferencial no mercado. 

Se você tem o desejo de trabalhar nos EUA, o advogado Leonardo Leão, especialista em Direito Internacional, traz algumas dicas bem interessantes.  Confira!

OD: O que é preciso para obter o visto nos EUA?

Leonardo Leão: De acordo com a legislação atual, existem 187 tipos de vistos para os EUA. Porém vamos citar aqui os mais comumente utilizados por brasileiros. Os vistos de imigrantes, os quais tornam o beneficiário elegível à residência permanente no EUA, são divididos em duas categorias: baseados em aplicação familiar ou employment-based (EB), onde são analisados os atributos profissionais do candidato (EB-1, EB-2, EB-3, EB-4), ou em investimento mínimo de USD 500,000 em um centro regional, o qual gerará empregos em uma região carente de desenvolvimento (EB-5). Existem ainda os vistos de investidor não-imigrante, os quais proporcionam ao beneficiário a residência temporária nos EUA. São eles: transferência internacional de executivo (L-1) e investidor que possua cidadania de países com tratados de comércio e navegação com os EUA (E-2).

OD: Está mais difícil ou mais simples atualmente?

Leonardo Leão: O tão famoso Green Card não é um sonho tão distante para os brasileiros, como costuma ser tido. De acordo com Escritório de Assuntos Consulares do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, em 2020, segundo números parciais do relatório fiscal americano, foram 1.899 permissões de residência permanente (vistos efetivamente concedidos ou mudanças de status). O Itamaraty estima que cerca de 1,6 milhão de brasileiros vivem hoje em território norte-americano. É um avanço que já vínhamos notando desde 2015, numa média de 10 a 18% ano a ano. E agora, com o crescimento da economia americana e a necessidade de mais profissionais, não é possível dizer se está mais simples ou difícil, mas que existe uma necessidade para que mais brasileiros migrem, principalmente aqueles com mão de obra mais qualificada. 

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OD: Como se tira o passaporte?

Leonardo Leão: O passaporte brasileiro é emitido pela Polícia Federal e tem validade de dez anos. Obter o documento não é complicado, mas é preciso cumprir uma série de passos, reunir os documentos necessários e fazer o agendamento junto à Polícia Federal. Todas as informações como, por exemplo, os documentos necessários são encontrados no site da Polícia Federal.  A documentação é simples, é preciso estar em dia com a justiça eleitoral e o serviço militar (para homens), depois preencher um formulário,  pagar uma taxa, agendar atendimento para apresentação dos documentos e captura de fotos e dados digitais, consultar pela internet o andamento do seu processo e finalmente buscar o passaporte. 

O especialista em Direito Internacional diz que existem muitas oportunidades de trabalho nos EUA, desde que os brasileiros cumpram com as regras norte-americanas. Imagem: Arquivo Pessoal

OD: Quais as principais dificuldades enfrentadas pelos brasileiros que se aventuram em migrar para os EUA?

Leonardo Leão: A principal dificuldade é não cumprir com as determinações dos Estados Unidos, ou seja, tentar o famoso jeitinho brasileiro, isso não dá certo, nunca deu. A forma mais acertada de se obter o visto de residência permanente, também conhecido como green card, é apostar na honestidade, uma vez que os sistemas são rigorosos. Não existe escadinha. Americano é muito pragmático, se você cumpre a lei, ele realiza seu processo. Não existiria toda a legislação se não tivessem interesse em contar com os imigrantes, ainda mais em tempos como o de hoje com a falta de mão de obra em diferentes setores. 

OD: Quais os cuidados as pessoas devem ter antes de embarcarem para os EUA em uma viagem para tentar se fixar por lá?

Leonardo Leão: Basicamente é cumprir todas as regras, seguir detalhadamente a legislação. O governo anterior (Donald Trump) causava mais dificuldades para entrar nos EUA. Um processo que durava seis meses, hoje leva um ano e meio. O Biden, por adotar uma política mais pró-imigrante, tenta reduzir. Esse ano, os Estados Unidos já começaram a liberar mais vistos, principalmente para os profissionais mais qualificados, principalmente da área da engenharia, tecnologia e saúde. Um dos principais cuidados para planejar corretamente sua viagem é contar com uma agência de planejamento e consultoria. 

OD: O risco de dar errado é grande quando não se faz os procedimentos corretos, quais são as principais consequências?

Leonardo Leão: Vai dar errado, se não seguir a legislação americana, não cumprir todas as regras, não tem jeito, a pessoa não conseguirá o visto e se viajar sem o visto, será barrada no aeroporto ou presa se tentar entrar no país de outra maneira, a pessoa acabará processada, impedida de voltar aos EUA e deportada. 

OD: E como é o viver lá, como conseguir trabalho, as pessoas procuram agências, como funciona?

Leonardo Leão: O alcance da legislação imigratória está muito amplo porque, com o aquecimento da economia dos Estados Unidos  neste momento pós-pandemia, diferentes profissões têm tido muitas demandas, as pessoas estão saindo do Brasil já com emprego garantido ou em negociação com o contratante. Existem categorias de vistos, como  EB-2 NIW, onde profissionais com grau de bacharelado e pelo menos cinco anos de experiência ou habilidade acima da média em suas áreas de atuação, podem obter o Greencard até mesmo sem uma oferta de emprego em solo americano, nesse casoo também é necessário apresentar um plano de atuação nos Estados Unidos. É sempre importante lembrar que para fazer um pleito imigratório não é obrigatoriamente necessário ter um advogado, mas a assessoria de um escritório especializado pode fazer toda a diferença

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