Saiba possível causa para a força brutal da erupção vulcânica em Tonga

No início deste ano, o vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga-Ha’apai, que fica em uma região do Oceano Pacífico pertencente ao reino polinésio de Tonga, entrou em erupção, formando nuvens espessas de cinzas que tomaram conta de uma área incrivelmente extensa. O evento está entre as erupções vulcânicas mais fortes dos últimos 30 anos

A explosão do vulcão em Tonga foi capturada por satélites no espaço (Imagem: NOAA/Reprodução)

A explosão produziu uma pluma giratória de gás, poeira e cinzas que atingiu 58 quilômetros no céu, além de ondas atmosféricas que viajaram ao redor do globo várias vezes e tsunamis no Caribe. 

Um estudo publicado este mês na revista Earthquake Research Advances sugere por que a escala dessa erupção vulcânica foi tão grande: uma explosão menor, no dia anterior, teria preparado o vulcão para uma irrupção maior, afundando sua ventilação principal sob a superfície oceânica. 

Isso quer dizer que a rocha derretida estava “vomitando” diretamente na água do mar, vaporizando-a ao longo do caminho e intensificando a erupção. A vaporização da água do mar fez com que a lava se fragmentasse em pequenos pedaços de cinzas, conforme sugerem os pesquisadores. 

Combinada com cristais de gelo na atmosfera superior, a nuvem de material construiu cargas estáticas que levaram a um período dramático de raios. O alvoroço da atividade elétrica foi tão intenso, que representou 80% dos raios da Terra em sua hora mais ativa. 

Explosão do vulcão submarino em Tonga é uma das mais fortes dos últimos 30 anos. Imagem:1NewsNZ/Twitter

“Nós realmente decidimos tentar entender o que aconteceu”, diz a volcanologista Melissa Scruggs, da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara. “Então, reunimos todas as informações que pudemos, qualquer coisa que estivesse disponível nas primeiras semanas”. 

Scruggs e seus colegas acreditam que quase 2 km3 de material – pesando cerca 2,9 mil toneladas métricas – foi enviado a meio caminho do espaço, causando efeitos violentos de ondulação que foram sentidos em todo o mundo. 

Segundo o estudo, as duas primeiras horas da erupção foram particularmente violentas, com o evento começando às 17h02, pelo horário local. Após cerca de 12 horas, a atividade desapareceu. “É a maior erupção que vimos desde a explosão de 1991 do Monte Pinatubo, nas Filipinas”, dizem os pesquisadores. 

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Erupção em Tonga é um aviso sobre o quanto vulcões submarinos podem ser perigosos

Ondas de choque viajando pelo Pacífico provocaram vários tsunamis em todo o mundo, muitas vezes chegando mais cedo do que o esperado porque os modelos usados para mapeá-los eram baseados na atividade de terremotos em vez de erupções vulcânicas. 

É um aviso sobre o quão perigosos os vulcões submarinos podem ser, com o ingrediente adicional da água do mar. Muitos permanecem não monitorados – por estarem em locais remotos, fora da vista de imagens de satélite – mas o dano que eles podem fazer pode ser cataclísmico, como pôde ser percebido com a erupção em Tonga. 

“O volume da erupção não foi grande coisa”, disse o geólogo Frank Spera, da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara. “O que foi especial é como a energia da erupção acoplou à atmosfera e aos oceanos: grande parte da energia entrou em movimento de ar e água em escala global”. 

Quando a área se acalmou novamente, as ilhas de Hunga Tonga e Hunga Ha’apa já tinham sido destruídas. Essas ilhas só se formaram em 2015, depois que outra grande erupção do mesmo vulcão fez delas os pontos mais altos de sua cratera. 

Hunga Tonga-Hunga Ha’apai é conhecido como estratovulcão, uma variedade em forma de cone que geralmente dá origem a atividade vulcânica relativamente leve. Faz parte de uma linha de vulcões alimentados pelo magma da atividade tectônica: a Placa do Pacífico mergulhando sob a placa indo-australiana. 

Mais dados serão coletados ao longo do tempo, que servirão de base para muito mais estudos a respeito da causa e dos efeitos da erupção em Tonga. “Muitos aspectos dessa erupção aguardam uma investigação mais aprofundada por equipes multidisciplinares”, escrevem os pesquisadores em seu artigo. 

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