Herdeiro de bilionário é acusado de cometer crime na compra e venda de NFTs

Quem disse que ser filho da terceira pessoa mais rica do mundo é requisito para nunca cometer um crime? Pois justamente o filho de Bernard Arnault, do império de luxo LVMH, que está sendo acusado de ter fortes ligações com a compra e venda de NFTs por meio da possível obtenção de informações privilegiadas. Sim, Alexandre Arnault, de 29 anos, herdeiro de um patrimônio líquido de US$ 170 bilhões, o equivalente a R$ 811,7 bilhões, entrou no banco de réus pelo fato de ter obtido possíveis indicações sobre grandes lucros na compra do NFT conhecido como HypeBear #9021, assim como outros da mesma coleção. 

As imagens são de bonecos de ursos coloridos estilosos, com óculos de sol em formato de coração e com chapéus de cowboy. É exatamente essa numeração a mais rara e valiosa dentro de uma coleção composta por 10 mil imagens. 

Informações privilegiadas 

A principal acusação contra o herdeiro do império da moda LVMH é que ele obteve informações privilegiadas no momento de fazer lances no que é conhecido como “pré revelação” em um sorteio, quando as características de um token ainda estão sob sigilo. 

Ele apostou às cegas e comprou o HypeBear #9021 por um valor 32% maior do que o preço médio dos outros HypeBears comercializados no mesmo dia, fazendo o mesmo com o #7777, pelo qual ofereceu 58% acima do valor negociado nos lances. 

Ofertas semelhantes aconteceram com mais sete ursos digitais. O que intriga os investigadores é que após dois dias, três NFTs adquiridos pelo herdeiro estavam entre os dez ativos mais raros, incluindo o #9021 e o #7777.  

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Mais fácil ser atingido por um raio 

Aí fica a pergunta: quais são as chances do acaso ter beneficiado o investidor? De acordo com a startup de tecnologia, Convex Labs, isso aconteceria uma vez entre 440 mil tentativas, o que abriu a desconfiança sobre uma possível irregularidade no processo de compra e venda. 

Em nível de comparação, seria mais fácil o herdeiro do bilionário ser atingido por um raio do que ter obtido tamanha façanha no negócio. Afinal, descargas elétricas atingem uma em cada 15 mil pessoas ao longo da vida. 

E o mais incrível: Arnault vendeu um dos NFTs quatro dias após a compra por US$ 14,7 mil, obtendo um lucro de 377%, com um lucro estimado de US$ 11,6 mil, o que corresponde a R$ 55,4 mil. 

E os lucros se repetiram nos demais NFTs. Mesmo assim, um porta-voz do herdeiro bilionário negou todas as acusações. 

No entanto, especialistas afirmam que pessoas altamente influentes, frequentemente, são beneficiadas nesse mercado de criptomoedas e NFTs. 

“Há muitas promessas no mercado de NFTs, mas há muitas pessoas mal intencionadas”, diz Ricardo Rosales, CEO da Convex Labs. “Nós abordamos isso da perspectiva de que, se algo pode dar errado, dará, e se alguém pode tirar vantagem, provavelmente o fará.”

Nas análises dos investigadores, seria mais fácil o herdeiro do terceiro homem do mundo ser atingido por um raio do que obter tantos lucros como os conquistados na compra e venda dos NFTs. Imagem: Deflet – Shutterstock

Evidências 

Tudo indica que as informações privilegiadas começaram a ser obtidas por Arnault logo no lançamento dos HypeBears, em Singapura. 

Criados por Ernest Siow, os NFTs foram comprados rapidamente pelo herdeiro, que log recebeu um feedback em uma videochamada, publicada no Twitter. 

“Ótima aquisição, irmão! Agora vamos dar uma olhada em nossos ursos.” 

Tudo indica que Arnault recebeu uma dica de Siow, da mesma forma que Martha Stewart e seu corretor supostamente receberam informações em 2001 do CEO da ImClone, uma empresa de biotecnologia da qual eles possuíam ações – e que foram vendidas pouco antes da empresa ter enfrentado problemas com as agências reguladoras de saúde dos EUA. 

Apesar de nada ter sido devidamente comprovado, há muitas denúncias que rondam o universo dos NFTs e criptomoedas, atingindo também as famosas coleções CryptoPunks. Portanto, o que não faltarão serão novos capítulos na saga das agências reguladoras tentando controlar esse vasto e minucioso mercado, que muitas vezes privilegia muito mais as informações do que meramente as imagens comercializadas. 

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